O Irã está pronto para começar a operar centenas de centrífugas que enriquecerão urânio – uma possibilidade tanto para a obtenção de armas de destruição em massa quanto para a utilização na geração de alternativas de energia. De acordo com um oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) e um diplomata que pediram anonimato, o programa nuclear iraniano dependia apenas de obras, recém-terminadas, em uma estação subterrânea onde funcionará a casa de máquinas.

Ambos explicaram como funcionaria boa parte dos planos de enriquecimento de urânio defendidos pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. No entanto, os dois frisaram que não há uma data específica para que o país ponha em prática seus planos nucleares.

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados acusam o Irã de tentar produzir armas nucleares. Teerã, em contrapartida, nega dizendo que o seu programa é pacífico e servirá, apenas, para a geração de eletricidade. As revelações, baseadas em relatórios elaborados por inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) durante visita a Natanz, esta semana, reforçaram as afirmações de que o programa nuclear iraniano não é tão pacífico quanto Ahmadinejad afirma.

De acordo com o levantamento, não-oficial por enquanto, Teerã está pronto para a produção em larga escala de urânio enriquecido – em algo em torno de 3 mil centrífugas. De acordo com a AIEA, urânio de baixo enriquecimento pode ser utilizado para a geração de energia. No entanto, o que o Irã parece estar pronto para produzir é urânio de alto enriquecimento – o que pode ser a ‘peça-chave’, uma espécie de coração, para uma arma nuclear de grande potência.

"Nós estamos tomando a direção da produção de combustível nuclear, que requer 3 mil centrífugas e mais do que se espera", disse o porta-voz iraniano, Gholamhossein Elham. "Este programa está sendo executado e estamos adotando medidas para completá-lo ao máximo", afirmou Elham.