A polícia italiana anunciou nesta sexta-feira (11) a prisão de 40 pessoas em várias cidades do país. Segundo um comunicado do ministério do Interior, as prisões foram "parte de uma extraordinária operação que seguiu a operação britânica antiterror". As detenções ocorreram em Roma, Milão, Veneza, Florença, Nápoles e outras cidades.

As prisões se deram em "locais em que muçulmanos se concentram, incluindo centros de chamadas telefônicas e de acesso à internet e transferência de dinheiro", de acordo com o comunicado. Foram também feitas buscas em algumas casas de imigrantes, a maioria paquistaneses. O comunicado dizia que, segundo uma investigação das forças de segurança da Bélgica, há a suspeita de que imigrantes financiem o grupo militante Lashkar e-Tayyaba, que tem realizado ações terroristas na região da Caxemira nos últimos anos e é suspeito de ter ligação com a Al-Qaeda

O escritório do procurador-geral da Bélgica, porém, negou o envolvimento do país na investigação de financiamento do grupo. "Não há nenhuma investigação com a polícia italiana ou investigadores", declarou uma porta-voz. Ela disse que existiu uma cooperação em investigações de combate ao terrorismo entre os países no passado, mas nada específico sobre o Lashkar e-Tayyaba.

Vinte e oito dos detidos foram acusados de violar as regras para permissão de residência na Itália. Os outros 12 foram presos por crimes de propriedade, segundo o comunicado, que não fornecia mais detalhes sobre os presos. Além disso, 114 ordens de expulsão foram expedidos. Mais de 4.100 pessoas tiveram seus documentos checados na operação. Ninguém foi preso por acusações ligadas ao terrorismo.

Há exatamente um ano, uma operação semelhante da polícia italiana em centros de transferência de dinheiro resultou em 141 prisões. Estas ocorreram pouco após os atentados ao sistema de transporte de Londres. A Liga Islâmica Italiana Anti-difamação criticou as prisões dos últimos dias. "Mais de 4 mil pessoas foram paradas e humilhadas para permitir a prisão de 12 ladrões de galinha e 28 clandestinos", reclamou a porta-voz da liga.