O governo descartou por intermédio do ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner, o risco de racionamento de energia elétrica neste e nos próximos anos. O assunto é tão sério que chegou a interromper as férias da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Contudo, há uma realidade inquietante percebida por todos: há mais de sete décadas a quantidade de água armazenada nos reservatórios das hidrelétricas nunca esteve tão baixa.

A luz de alerta começou a piscar quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou a decisão de transferir parte da energia despachada (produzida) na região Sul para garantir o abastecimento das regiões Sudeste e Centro-Oeste. A transferência será equivalente a mil megawatts médios diários, a partir deste final de semana.

Em algumas usinas do Sudeste e do Centro-Oeste, onde o déficit de precipitações pluviométricas é mais comprometedor, o nível da água está a apenas cinco pontos percentuais do mínimo de segurança exigido para o período.

Tendo em vista que a estação chuvosa se estende até abril e, até lá, a situação poderá estar normalizada, o governo já providenciou o aumento da geração de energia por intermédio de seis usinas térmicas movidas a óleo ou gás natural, mesmo diante dos obstáculos na obtenção desse combustível.

Há também o temor do mercado atacadista de eletricidade quanto ao fato de que o valor do megawatt-hora gerado pelas térmicas é superior a R$ 500, enquanto custa R$ 120 nas hidrelétricas. O susto só vai passar na segunda quinzena de janeiro, se São Pedro abrir as torneiras.