O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que vai retirar o pedido de cassação contra o deputado José Dirceu (PT-SP), disse, nesta segunda-feira, em São Paulo, que não se importa se a decisão beneficiará o petista. "Não tem problema que ele renuncie. Não quero mais nutrir ódio. Não tenho ressentimentos", disse, embora reafirme ter "horror" a Dirceu.

Se renunciar ao mandato, o deputado do PT de São Paulo poderá se candidatar em 2006. "Vou devolver o Dirceu incólume ao PT. Será um cavalo de Tróia. Se ele voltar a assumir a presidência do partido, vou sentar no chão e rir muito. Será meu presente", ironizou.

Jefferson conversa, nesta terça-feira, com executivos da empresa italiana TBA Records, que propôs a ele que grave um CD com músicas da Itália. "Se der certo, vou começar uma nova carreira" afirmou.

Cassado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, o ex-deputado do PTB do Rio disse que vai tirar o pedido de cassação contra Dirceu porque há um acordo entre o PSDB, PFL e PT para que haja apenas duas cassações, a do ex-chefe da Casa Civil e a dele.

"Senti-me usado pelo PSDB e PFL", afirmou. "Se quiserem cassar o Dirceu, que representem contra ele. Eu não vou colocar azeitona nessa empada. Já paguei o meu preço", acrescentou.

Jefferson afirmou duvidar que o PSDB represente contra o deputado do PT, alegando que os dois partidos teriam um pacto para limitar cassações, protegendo-se, mutuamente. "No fundo, PSDB e PT são frutos da mesma árvore; fios da mesma pipa. Todos os dois (partidos) fazem políticas que beneficiam os bancos, que ganham uma barbaridade", disse.

Para o ex-deputado do PTB, a decisão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de "trancar o cofre", adotando uma política fiscal dura, beneficia o setor financeiro. Além do pedido contra Dirceu, Jefferson recolherá o requerimento de cassação contra o líder do PL na Câmara, Sandro Mabel (GO).

"Tem pouca coisa contra ele e não tenho provas. Tinha conversas", resumiu, justificando a decisão. Para recolher a solicitação, o ex-deputado exige que Mabel retire o pedido que pede a cassação do mandato de deputada da secretária de Ciência e Tecnologia de Goiás, Raquel Teixeira.

Jefferson negou ter recuado e disse que não acusou o líder do PL na Câmara com a mesma "veemência" e "certeza" que mostrou em relação ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e ao ex-deputado Carlos Rodrigues (RJ).