O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), reagiu na sexta-feira à decisão do líder tucano, deputado Jutahy Júnior (BA), de capitanear o apoio da bancada à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Tasso disse que convocará a Executiva do partido para rever a posição da bancada.

O senador endossou as críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que a opção pelo petista foi "precipitada", por entender que a mesma teria sido movida por interesses alheios à postura do PSDB no Congresso. "A decisão anunciada de apoio à candidatura de Chinaglia não reflete o sentimento geral do partido", argumenta. A reunião está marcada para esta semana.

O apoio a Fernando Henrique vem também do PFL, que já anunciou a decisão de apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B). Para o senador Antonio Carlos Magalhães (BA), o ex-presidente mostrou que está atento à movimentação política do País. "Mais uma vez, o presidente Fernando Henrique coloca uma questão grave da política em termos claros e absolutamente certos", defende. Diz ainda que o ex-presidente representa hoje "a verdadeira e construtiva oposição contra conchavos que o Brasil, infelizmente, está acostumado".

ACM entende que a decisão do líder Jutahy foi acertada com o governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, antes de ser levada à bancada da Câmara. "Como não pode pleitear uma secretaria no Congresso, ficou acertado que ele poderia indicar o presidente da Assembléia Legislativa", afirma.

Já o secretário de Desenvolvimento Social de Minas Gerais, o deputado licenciado Custódio Mattos (PSDB), que assumirá o cargo na votação do presidente da Câmara, discorda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, a decisão do líder Jutahy leva em conta, sobretudo, a proporcionalidade dos partidos. "Se não respeitamos a proporcionalidade, não teremos vida parlamentar, não teremos ninguém na Mesa nem nas comissões.

Custódio nega a existência de interesses estaduais na decisão da bancada. No caso específico de Minas, diz que o governador Aécio Neves, "com 90% de apoio na Assembléia", em hipótese nenhuma precisaria relacionar seu mandato à posição do partido na Câmara dos Deputados.

O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), porém, chega a apresentar detalhes do acordo entre Jutahy e Jaques Wagener na Bahia. Segundo ele, a eleição do tucano Marcelo Lino para a presidência da assembléia "fez o Estado conduzir o Brasil". "A repercussão nacional de uma questão local é muito mais grave", afirma. Para ele, a crítica de Fernando Henrique Cardoso " foi extremamente oportuna, porque lembra que o País não pode viver sem oposição".

Executiva

A convocação da Executiva por Jereissati é um movimento importante que pode inviabilizar a resolução da legenda de apoiar Chinaglia, pois são membros deste fórum político lideranças como o próprio presidente do partido, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), o ex-ministro Paulo Renato e o deputado eleito José Aníbal (PSDB-SP). Todos eles se manifestaram publicamente contra a decisão do apoio.

Se houver recuo na decisão, a candidatura à reeleição do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), poderá beneficiar-se, já que contava com o apoio do PSDB para garantir viabilização na disputa.