Brasília (AE) – O deputado José Dirceu (PT-SP) aumentou a pressão sobre o Conselho de Ética, amigos e líderes dos partidos aliados para conseguir votos favoráveis à sua absolvição no processo por quebra do decoro parlamentar, que pode levar à sua cassação.

Dirceu montou um mapa dos 513 deputados. Como sabe que não terá tempo de conversar com todos, resolveu procurar os líderes partidários, os mais influentes nas bancadas e os integrantes do Conselho.

O líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), contou na terça-feira (4), numa reunião de seu partido, que havia sido procurado. Dirceu, disse Albuquerque, lhe pediu para trabalhar a seu favor com a bancada gaúcha.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) confidenciou a colegas que estava surpreso com telefonema que recebeu de Dirceu no qual o ex-ministro humildemente pedia uma audiência para dar todas as explicações que solicitasse. Assim, pretendia mostrar sua inocência.

Entre as pressões de Dirceu, está a visita feita ao ex-presidente Itamar Franco, em Juiz de Fora, terra do relator do processo. Depois do encontro, Itamar declarou que, se a Câmara tirar o mandato do petista, cometerá erro semelhante ao da cassação de Ibsen Pinheiro (RS).

BMG

Pesa contra Dirceu a informação de que ele influenciou diretamente o presidente do BMG, Ricardo Guimarães, a não comparecer à sessão em que seria ouvido no processo. Júlio Delgado (PSB-MG) disse que tentou quatro vezes ouvir Guimarães.

Chegou à CPI dos Correios informação de que não foi Marcos Valério de Souza, mas o ex-tesoureiro Delúbio Soares, quem marcou audiência da diretoria do BMG com Dirceu. A informação pode atrapalhar a defesa do petista, pois a audiência ocorreu três dias após empréstimo de R$ 3 milhões ao PT.