O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou hoje que o governo espera arrecadar R$ 459 bilhões em 2005. Segundo o ministro, 80% desse valor estarão comprometidos com pagamento de juros, Previdência Social e folha de pessoal. Ao dizer que apenas 20% da arrecadação estarão disponíveis para os investimentos, o ministro comentou as prioridades do governo.

?Os quatro grandes desafios que agendamos, que o presidente tem como prioridade de governo, (são): infra-estrutura, educação, ciência e tecnologia, poupança e investimento para longo prazo. O governo vai trabalhar nessas prioridades. É evidente que o governo tem a prioridade do social. Apesar do ajuste, que não é simples. Mas ele está sendo sustentado e há consenso no governo sobre isso. Quanto a isso o governo não tem meias-medidas.”

José Dirceu dimensionou as carências do ensino médio no país e a importância da alteração desse quadro para a cidadania e o desenvolvimento. ?Temos 11 milhões de jovens fora do ensino médio no país, sendo que 3,4 milhões não mais retornarão às salas de aula e terão de ter ensino à distância, por correspondência ou supletivo, ou no chão da fábrica, uma solução fantástica, na qual o Brasil está fazendo uma verdadeira revolução.”

“Vamos cuidar do ensino técnico-profissional médio do país, para a cidadania e para o trabalho. Para a cidadania, em primeiro lugar, e para a cultura e o lazer da juventude. Senão teremos problemas sérios no país nos próximos anos. Gravíssimos, como já temos de criminalidade e violência. E o que é pior: o país vai perdendo os valores morais e éticos, vai perdendo o sentido e a coesão social, de política institucional. Vai perdendo o que os nossos avós, os nossos pais construíram, que é a civilização brasileira. Que não é só um grande país, um grande território, um país moderno, com uma indústria moderna, um empresariado moderno, com grande capacidade tecnológica, um grande mercado interno, mas também o povo, principalmente o povo. A coesão social, a qualidade de vida do povo, o nível de instrução”, disse o ministro.

Segundo Dirceu, é incompatível com o desenvolvimento do Brasil a escolaridade média de quatro anos que o cidadão hoje tem. “Temos de triplicar isso nos próximos dez anos. É um grande desafio. O principal desafio para o país. Sabemos que não há desenvolvimento só das empresas, não há democracia só do Congresso e dos partidos, o povo tem que fazer parte do desenvolvimento e da democracia. E esse é o principal desafio nosso?, afirmou Dirceu.

José Dirceu fez as declarações no seminário “Desafios ao Crescimento”, no Hotel Transamérica, zona sul da capital. No início da tarde o ministro visita a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), na capital.