São Paulo (AE) – O prefeito de São Paulo, José Serra que desde a última quarta-feira é novamente presidente do PSDB, afirmou hoje que a reportagem de "Veja" sobre o envio de dinheiro cubano para a campanha de Lula, em 2002, "parece verossímil", já que traz detalhes dos episódios, as datas, fontes e afirmações gravadas. "Não me surpreenderia com notícias de que o PT tenha recebido esse tipo de ajuda", comentou. "E agora que a história tem nomes, descrição, etc, tem de ser investigada."

Segundo o prefeito – que nas recentes pesquisas aparece à frente do presidente Lula nas sondagens sobre segundo turno da campanha presidencial do ano que vem -, a revelação da "Veja" é ruim para a política. "Isso é o tipo da coisa que desmoraliza", prosseguiu ele.

Serra não poupou críticas ao PT: "O que se vê é abuso atrás de abuso. Não fico contente com nada disso. É ruim." Mas, acrescenta, "precisa investigar".

Na sua opinião, a partir da reportagem é indispensável que os responsáveis pelas comissões parlamentares de inquérito, em Brasília, convoquem as pessoas que deram informações à revista. "O Ministério Público também está aí para isso". Para ele, o assunto tem de ser devidamente tratado pelas lideranças dos partidos no Congresso.

Perguntado sobre a tentativa do PSDB de criar uma CPI específica para o caixa 2, Serra mostrou-se cuidadoso. "Tem que ver como as lideranças do partido, em Brasília, estão vendo e encaminhando esse assunto." Na quinta-feira, depois de algumas discussões no Congresso, e da obtenção de mais de 30 assinaturas de apoio, o senador Arthur Virgílio encaminhou um pedido de instalação dessa nova CPI, que parece não contar, por enquanto, com a adesão do PFL, tradicional parceiro dos tucanos nas iniciativas contra o governo.