Brasília – Um em cada três jovens brasileiros participa de algum tipo de organização social. São conjuntos grupos religiosos, de hip hop, de grafiti, que não são  vistos tradicionalmente como organizações políticas. Mas atualmente essas têm sido as formas de participação social dos jovens brasileiros. As avaliações fazem parte de uma pesquisa feita em conjunto pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis de Estudos e Assessoria em Políticas Públicas.

?Apesar de se comentar que o jovem brasileiro está em apatia, a pesquisa aponta um grande nível de não participação dos jovens?, destaca Ozanira da Costa, uma das coordenadoras da pesquisa. Mas os jovens têm buscado novas formas de participar da vida política, já que há um descontentamento grande com as formas tradicionais de participar da política, como partidos, sindicatos e entidades estudantis. ?A própria realidade do país não estimula esse jovem a participar da política tradicional?, lamenta Ozira da Costa, em entrevista hoje ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Essa realidade se reflete nos números. Dos 8 mil jovens entrevistados, em oito regiões metropolitanas, 28% participam de algum grupo. Mas apenas 1% desses jovens participam de algum partido político. E apenas 0,7% estão filiados a algum sindicato.

A principal forma de participação é em grupos religiosos (15%), depois vêm associações esportivas (8%) e, em terceiro, grupos artísticos (8%).

Uma das chaves para essa participação, segundo a pesquisadora, é a renda e o grau de educação dos jovens. A pesquisa revelou, segundo Ozira da Costa, que quanto maior a renda do jovem, maior seu grau de participação em organizações sociais. O mesmo vale para o grau de instrução.

?A grande ligação para que o jovem possa participar mais da vida política e da sociedade é a educação?, afirma. ?Mas o jovem pobre tem uma grande dificuldade de acesso à educação e não tem estímulo. Já o jovem com renda familiar melhor tem condição de ir a uma escola particular e lá tem mais acesso à informação e mais estímulo para participar da vida política do país?.

A falta de acesso à informação é um empecilho à participação, segundo a pesquisadora. ?A pesquisa mostrou que 85% dos jovens se informam pela televisão. ?Os jovens não têm acesso e as escolas não estimulam temas da atualidade?.

A pesquisa dos institutos Pólis e Ibase foi feita em dois períodos: julho de 2004, pouco antes das eleições municipais, e novembro de 2005, período da crise política que atingiu o Congresso Nacional. Foram entrevistados 8 mil pessoas de 15 a 24 anos das regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Distrito Federal.

Depois de feita a pesquisa quantitativa foram escolhidos 900 jovens para uma pesquisa qualitativa. Segundo Ozira da Costa, foi usado um método canadense chamado de Grupos de Diálogo. São formados grupos de discussão sobre alguns temas para descobrir a opinião dos entrevistados sobre cada assunto.