A Justiça decretou o bloqueio de bens do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Acusado de improbidade pelo suposto desvio de verbas nas obras do Túnel Airton Senna e da Avenida Água Espraiada, Pitta teria enviado US$ 1,26 milhão para uma conta em Nova York, dinheiro que depois foi transferido para Genebra, na Suíça, em nome de Nicéa, sua ex-mulher.

A decisão do bloqueio foi tomada pela juíza Simone Rodrigues Casoretti, da 14ª Vara da Fazenda, que acolheu liminarmente ação da Promotoria da Cidadania. Além de Pitta, são acusadas outras 12 pessoas físicas e jurídicas, entre elas as empreiteiras Mendes Jr. e OAS.

"Verifica-se a possível prática de ato de improbidade pelos réus, enriquecimento ilícito e violação dos deveres de honestidade e legalidade", assinalou a juíza. "Os fatos são graves, pois indicam suposta atuação fraudulenta, participação num esquema de corrupção mediante desvios de verbas e remessas de numerário ao exterior, de forma ilegal, com prejuízo para o Erário e interesses públicos."

A ação é baseada em documentos enviados pela Justiça de Liechtenstein. Os papéis indicam que uma conta foi usada para "transações de passagem" e colocada à disposição de Nicéa em banco suíço, onde foram depositados US$ 925 mil. Ela autorizou a repatriação do dinheiro. "As provas contra Pitta são fortes", observa o promotor Silvio Marques. O advogado do ex-prefeito, Luís Serra Netto, disse que ainda não conhece o teor da medida judicial, mas anunciou que vai recorrer.