Dando fim à série de depoimentos dos presos pela Operação Hurricane (furacão, em inglês), a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, deve ouvir nesta segunda-feira os depoimentos de João Oliveira de Farias e Marcelo Kalil Petrus, filho do contraventor Antônio Petrus Kalil, o Turcão. Marcelo, que está foragido, teve depoimento marcado; ele é filho do Turcão, que junto com outros acusados, foi preso pela Polícia Federal no dia 13 de abril.

João Oliveira de Farias, sócio da Scorpion Lan House, atuaria como operador da organização que pagava propinas a magistrados para conseguir liminares favoráveis à prática do jogo ilegal no País. Ele teria tentado sacar às pressas R$ 1,25 milhão antes de ser preso.

Marcelo Kalil é dono da empresa Abraplay e estaria ocupando o espaço de seu pai como um dos líderes da organização. Teria pago propina de R$ 150 mil ao desembargador Carreira Alvim, também investigado na Hurricane, para liberar máquinas da empresa.

Entre os presos pela Operação Hurricane, deflagrada pela Polícia Federal no dia 13 de abril, estão bicheiros, delegados e magistrados acusados de crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais. A cada dia três envolvidos foram interrogados.

Na sexta-feira, o advogado Virgílio Medina, irmão do juiz licenciado Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi ouvido e negou todas as acusações contra ele. Virgílio é acusado de intermediar, pelo valor de R$ 600 mil, uma liminar concedida pelo seu irmão, o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), liberando máquinas de caça-níqueis apreendidas em Niterói (RJ).

O delegado federal aposentado Luiz Paulo Dias de Matos, acusado de repassar à quadrilha que explora os jogos no Rio informações sobre operações policiais, também foi ouvido e negou todas as acusações. Outro que ficou calado foi Nagib Teixeira Suaid, apontado como tesoureiro dos bicheiros do esquema investigado.

A transferência dos presos para o presídio federal de Campo Grande (MS) só ocorrerá depois do dia 17. A juíza marcou o reinterrogatório dos presos que desejarem para os dias 15 a 17. Seus defensores terão até quarta-feira para pedir o reinterrogatório. Com isto, os advogados ganham um pouco mais de prazo para tentarem, nos tribunais superiores, impedir a ida deles para Mato Grosso do Sul.