A redução das taxas de juros e os prazos mais longos dos financiamentos, além de embalarem as vendas de automóveis, ajudam a mudar o perfil de consumo no País. A participação nas vendas dos modelos mais baratos, chamados de carros de entrada, normalmente sem nenhum opcional, caiu de 43,5% em 2005 para 39 5% neste ano. Já os sedãs médios, um pouco maiores e mais sofisticados, ampliaram a participação no mercado de 10% para 14,3%.

"A migração é resultado da oferta de prazo mais longo para financiamento, que permite ao consumidor comprar um produto melhor e diluir as prestações em mais parcelas", diz o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze.

Na categoria de carros de entrada estão Gol, Palio, Celta, Uno e Ka com motores 1.0, que, juntos, venderam até novembro 550,1 mil unidades. Já os sedãs pequenos incluem Corsa, Siena, Fiesta, Clio e Prisma, cujas vendas totalizam neste ano 199,4 mil unidades. Para as montadoras e revendas, a mudança é comemorada, pois carro mais caro é garantia de margem maior de lucratividade.

O segmento intermediário entre os dois, de modelos hatch pequenos (Fox, Fiesta, Corsa, 206, C3, Clio e Polo) também encolheu a participação nas vendas de 20,1% para 18,7%. Segundo Reze, quem antes comprava um popular para pagar em 48 meses agora adquire um carro melhor e paga em 60 meses.

Na opinião da economista Tereza Maria Fernandez, diretora da MB Associados, "com os juros em queda, o valor da prestação cabe melhor no bolso do consumidor da classe média". A estabilidade na economia e o lançamento de novos modelos por parte das montadoras, especialmente os flex (bicombustíveis), também ajudam a impulsionar as vendas.

Segundo a Fenabrave, as vendas de veículos este ano podem superar a projeção inicial da entidade, de quase 1,88 milhão de unidades. Até novembro, a soma está em 1,72 milhão de veículos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 12 3% mais que em igual período de 2005.