O mau humor externo diminuiu o otimismo dos analistas com o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina amanhã (8). A alta dos juros de alguns títulos dos Estados Unidos, da União Européia e do Japão interrompeu a onda de euforia com países emergentes. O risco país teve alta de 3,59% e encerrou o dia em 231 pontos; o dólar subiu 1,21% e ficou cotado em R$ 2,16. O título mais negociado da dívida externa brasileira, o Global 40, fechou em baixa de 0,19%. A Bovespa também não teve um dia bom: fechou em queda de 2,43%.

A virada no humor externo impediu que avançassem as apostas de uma corte de 1 ponto porcentual na Selic hoje. A maioria dos analistas voltou a apostar em redução de 0,75 ponto porcentual na taxa de juros básica pelo Copom. Um dos argumentos que justificava o aumento do otimismo com a política monetária, além da inflação comportada, era justamente o fato de o cenário externo estar extremamente favorável – o que implicava fluxo de recursos internacionais e conseqüente queda do dólar.

Agora, surgiram dúvidas. "Será que o Copom aceleraria o ritmo de corte de juros em um momento em que o cenário internacional está indefinido?", indagou um operador.

Parte dos analistas acredita que existe uma tendência de elevação dos juros de mercado dos EUA (dos chamados Treasuries), da UE e do Japão. Isso pode levar a uma migração do investidor estrangeiro de papéis de emergentes para investimentos em países desenvolvidos, por causa da melhora da remuneração.

Alexandre Maia, economista-chefe e sócio da GAP Asset Management acha que o mercado entrou em uma onda de redução da exposição ao risco dos emergentes, mas esse fenômeno não vai durar muito tempo. "Investidores passaram a questionar se a economia global está crescendo muito rápido e, portanto, se será necessário elevar os juros para que não haja inflação", diz.

Para ele, não se trata de uma reviravolta na confiança dos investidores em relação à sustentabilidade do déficit em conta corrente dos EUA.

Analistas prevêem que, em dado momento, os investidores passarão a exigir juros maiores para continuar financiando o déficit americano. "A alta dos juros de mercado não está relacionada à conta corrente americana porque o dólar no mundo subiu bastante – se houvesse uma aversão dos investidores de ativos dos EUA, o dólar cairia."

Segundo Luiz Forbes, diretor da corretora López León, houve um grande volume de vendas de títulos brasileiros ontem, mas ele não acredita no fim da bonança dos mercados emergentes. "Os investidores apenas estão se ajustando ao novo nível das Treasuries.