O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), terminou projetando taxa de 13,99% ao ano. Ontem este mesmo contrato encerrou a 14,22% ao ano.

Segundo analistas, o movimento nesta quinta-feira (31) foi de ajustes no mercado de juros, depois da redução, anunciada ontem, em 0,5 ponto porcentual da taxa Selic.

Se havia alguma dúvida sobre as razões da decisão do Comitê de Política Monetária^ (Copom), ela foi resolvida diante dos números do desempenho do PIB no segundo trimestre. A taxa de crescimento da atividade veio no piso das estimativas, em 0,5%, abaixo da mediana das projeções, de 0,75%. E comprovou o que o mercado suspeitava: que o Banco Central enxergava um cenário econômico mais favorável à redução do juro do que na última reunião do Copom, quando a ata falava em "maior parcimônia".

O mercado, nos últimos dias, já percebia no cenário justificativas para a decisão que o comitê tomou. Mas manteve-se mais conservador, preso ao tom cauteloso da ata. Afinal, havia dez reuniões que o comitê tomava decisões em linha com as apostas do mercado. Por isso, ontem à tarde, na corrida de última hora para montar posições para o Copom, não houve apenas apostas em 0,5 ponto porcentual. Muitos operadores saíram tomando DIs, reforçando a aposta no 0,25 ponto porcentual. Isso explica o crescimento do volume de contratos negociados na BM&F, sem que as taxas tenham ampliado significativamente a precificação de corte da Selic.

Hoje, portanto, havia muita correção a ser feita e as taxas caíram expressivamente. Entre analistas, começa a crescer a avaliação de que, depois da decisão de ontem, há espaço para o juro chegar a 13,75% no final do ano.