Rio (AE) – As expectativas das indústrias para 2006 estão piores do que as projeções que o setor tinha em outubro do ano passado, com relação a 2005. O otimismo diminuiu nos seis itens pesquisados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), principalmente nos itens situação dos negócios, emprego e investimentos. Em outubro do ano passado, dois terços das indústrias (67%) projetavam melhora dos negócios para o ano seguinte. Agora, menos da metade (44%) espera avanço para 2006 – a parcela que espera piora saltou de 4% para 13%.

O economista da FGV Aloísio Campelo Jr. explica que no último trimestre de 2004 as indústrias vinham embaladas por um forte crescimento e o otimismo era maior. Este ano, marcado por uma atividade industrial mais fraca, as indústrias estão mais céticas e esperam um "crescimento a taxas moderadas". Os principais motivos são os juros ainda elevados e o câmbio desfavorável, explicou Campelo.

Os dados mostram que encolheu de 29% para 24% a proporção de empresas que esperam crescimento real (descontada a inflação do período) de faturamento acima de 10%. Em contrapartida, foi de 71% para 76% a fatia das que projetam aumento real abaixo dos 10%. Para o economista da FGV Samuel Pessôa, há uma acomodação de expectativas, "mas também não está havendo uma regressão". A pesquisa ouviu 1.015 empresas, com faturamento anual conjunto de R$ 475 bilhões.

Trabalho

Depois de dois anos em recuperação, deverá haver um redução no ritmo de crescimento do emprego industrial. A proporção de empresas prevendo contratar mais encolheu de 47% (em outubro do ano passado) para 30% este ano, enquanto saltou de 6% para 16% a fatia das empresas que projetam demissão. Os setores mais pessimistas quanto ao mercado de trabalho são o mobiliário, mecânico, têxtil, vestuário e de calçados.

Para o coordenador de Política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, "houve uma frustração ao longo do ano com relação ao desempenho efetivo dos negócios". Ele explica que as indústrias reduziram o uso da capacidade instalada, o que abre espaço para crescimento sem aumentar investimentos. Isso foi detectado na pesquisa da FGV: a parcela das empresas projetando investir mais caiu de 52% em 2005 para 38% em 2006.

Exportações

No segmento de bens de capital, o recuo foi ainda maior no grupo que pretendia investir mais: de 71% para 46%. No total da indústria, avançou de 8% para 22% a parcela de empresas projetando redução dos investimentos. Nas exportações, as estimativas foram as menos favoráveis da série da pesquisa, iniciada em 2002. No fim do ano passado, 63% previam crescimento das vendas externas em 2005. Para este ano, 53% apostam em crescimento.

Ainda assim, segundo Pessôa, o resultado é positivo e e não permite dizer que "o câmbio está tão errado assim". Segundo ele, boa parte da valorização cambial está ligada aos fundamentos da economia, com destaque para o setor externo e provável aumento da produtividade.