Brasília – As taxas de juros reais (descontada a inflação) dos títulos da dívida pública deverão cair abaixo dos 9% no ano que vem, disse à Agência Estado o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antônio Gragnani. Essa taxa mais baixa deverá ser obtida nos papéis de médio e longo prazos. "A continuar a solidez das políticas monetária e fiscal – e deve continuar – , nós poderemos vender no ano que vem títulos de médio e longo prazo com taxas de juros reais abaixo de 9% ao ano", disse.

Taxas reais na casa dos 9% já foram alcançadas em 2005, em papéis como a NTN-B, (indexada ao IPCA). O secretário acha, porém, que a tendência é que ela caia mais ao longo de 2006. Sua análise considera um cenário de continuidade na melhoria da qualidade dos fundamentos econômicos, como tendência de queda no juro básico e a manutenção de elevados saldos na balança comercial.

Ele admite que, mesmo em queda, os juros reais desses papéis ainda são elevados. "O juro real desses papéis ainda é alto, mas está convergindo para níveis mais baixo. Temos a expectativa de chegar em níveis melhores futuramente. O importante é que no ano que vem teremos taxas reais abaixo de 9% para nossas emissões de forma consistente e duradoura", concluiu.

Na segunda semana de janeiro, o Tesouro deverá divulgar o Plano Anual de Financiamento (PAF), que estabelece os objetivos da administração da dívida pública. O PAF fixa metas, por exemplo, sobre a parcela da dívida pública que será composta por títulos corrigidos pelos juros e que parcela será ocupada por papéis de correção prefixada.

Ele não antecipou quais seriam os parâmetros do PAF, mas estimou que os títulos prefixados devem fechar o ano que vem representando cerca de 35% do total da dívida mobiliária interna. "É um bom número. Será um avanço importante, já que neste ano esses títulos devem fechar entre 27% e 28% do total da dívida", disse Gragnani.