O juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri da Capital autorizou ontem que Suzane von Richthofen, 22 anos, cumpra prisão domiciliar em outro endereço. Até ontem, ela estava num apartamento na Aclimação, zona sul de São Paulo

Anderson concedeu pedido da defesa de Suzane para que o novo endereço seja mantido em sigilo. O julgamento da jovem e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos está marcado para 17 de julho

Suzane e os irmãos Cravinhos são réus confessos do assassinato dos pais dela, em 31 de outubro de 2002. Os jovens são acusados de homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. A pena varia de 12 a 30 anos para cada morte

O julgamento dos três estava inicialmente marcado para 5 de junho, mas foi adiado por causa de manobras da defesa. Os advogados dos Cravinhos, Geraldo e Gislaine Jabur, não compareceram ao tribunal, alegando que não conseguiram falar com seus clientes na prisão. Já os advogados de Suzane deixaram o plenário após terem um pedido de adiamento de depoimento negado pelo juiz

O casal Manfred Albert von Richthofen, 49 anos, e sua mulher, a psiquiatra Marísia von Richthofen, 50, foi assassinado na madrugada de 31 de outubro de 2002

A princípio, a polícia desconfiou da empregada da família, mas uma semana depois do crime a filha Suzane confessou participação no assassinato. Ela contou com a ajuda do namorado, Daniel, e do irmão dele, Christian

Apesar da preocupação de descaracterizar o local do crime, os três acusados deixaram rastros. Além disso, caíram em contradição em seus depoimentos. Após ter sido detido, Christian ainda tentou montar um álibi afirmando que, na noite do crime, estava sua ex-namorada. Mas policiais encontraram a garota, que derrubou a versão dele

Foi Christian também quem deixou o maior rastro ao comprar uma moto na manhã seguinte ao crime, com dólares roubados da casa. Ele não soube explicar a origem do dinheiro, foi detido e acabou confessando o crime e a participação do irmão e de Suzane

Manfred e Marísia foram mortos a pauladas enquanto dormiam. Os dois estavam com os rostos cobertos – ela tinha um saco plástico na cabeça e o marido, uma toalha. Foram levados R$ 8 mil e US$ 5 mil. A polícia conseguiu recuperar parte do dinheiro roubado