Além da final do Campeonato Brasileiro, outro assunto agitou os bastidores do Corinthians nesta terça-feira: racismo. No fim de semana o lateral Kléber revelou que o meia Diego o ofendeu durante o jogo de domingo, chamando-o de macaco. O lateral contou que a princípio ficou ofendido e precisou se conter para não ter uma reação que tirasse o meia santista do jogo, mas o fato foi superado porque o jogador pediu desculpas posteriormente.

“Fiquei surpreso com a polêmica”, disse Kléber, lembrando que os mais indignados foram seus companheiros de time. “Acho que ele (Diego) deve mudar seus conceitos, mas isso não abalou em nada meu orgulho de ser negro”, disse o lateral. Para o jogador corintiano, o gesto não passou de provocação com o objetivo obter uma reação violenta que causasse sua expulsão e benefício para o Santos.

Kléber também usou um argumento irrefutável para lembrar Diego de que não há motivo para comentários racistas. “Ele precisa lembrar, por exemplo, que a pessoa que imortalizou a camisa que ele veste (Pelé usava a 10 do Santos) era negro também.”

O assunto irritou o técnico Carlos Alberto Parreira, que não quer saber de alimentar polêmicas antes do jogo. “Eu não ouvi. Se aconteceu, eu acho que é caso para boletim de ocorrência, mas não vamos entrar neste clima para a partida”, disse o treinador, temendo que o caso de Kléber crie uma situação de violência ou tensão entre as torcidas ou os jogadores em campo, o que pode beneficiar apenas o Santos.

O zagueiro Fábio Luciano mostrou indignação com a situação vivida pelo companheiro, mas ao mesmo tempo lucidez para comentar o acontecido. “Já disputei campeonatos como a Série C do Brasileiro e a Série A2 do Paulista e acho que jogador de time grande deve saber o que fala”, disse, lembrando que Diego tem vários companheiros também negros.