Não está bem explicado o lamentável episódio do anúncio de focos de febre aftosa em território paranaense. Da suspeita da presença do vírus em animais de fazendas localizadas na região noroeste, tem-se hoje a impressão, a partir de laudos não conclusivos do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), da inexistência da infecção no Estado.

Contudo, segundo informou a jornalista Lyrian Saiki na edição de domingo, a cadeia produtiva formada por criadores de gado de corte e leite, frigoríficos e laticínios arcou com prejuízo incalculável advindo do cancelamento de contratos nacionais e internacionais, restringindo o número de animais abatidos e jogando fora milhares de litros de leite.

A perda súbita do mercado consumidor de carne produzida no Paraná, de acordo com Péricles Salazar, presidente do Sindicarnes, já bate na expressiva quantia de R$ 100 milhões. O pior resultado, entretanto, é o tempo necessário para recuperar a confiabilidade dos importadores, extremamente rigorosos ao exigir segurança máxima da política de defesa sanitária animal dos países exportadores.

Uma idéia da extensão das perdas da pecuária paranaense desde o anúncio dos focos de aftosa observa-se na estimativa das 70 mil cabeças não abatidas nos últimos trinta dias. Esse é o motivo alegado pelo setor produtivo para exigir dos governos do Estado e da União uma palavra definitiva sobre a existência ou não dos focos anunciados.

Até quando ficarão os produtores nessa dependência é que ninguém sabe. Espera-se a ação governamental antes que a vaca vá pro brejo e todo o leite seja derramado.