O Brasil e mais 39 países terão o mesmo modelo de pesquisa para saber quantos são e o que fazem os portadores de deficiência.

O objetivo é dar subsídios aos governos para a elaboração de políticas públicas que facilitem a inclusão dos deficientes no mercado de trabalho e nas universidades, além de melhorar o acesso aos transportes e a equipamentos nas ruas e no trabalho. A unificação das estatísticas sobre os portadores de deficiência está sendo discutida em seminário no Rio de Janeiro com a participação de representantes de institutos oficiais de pesquisas desses 40 países.

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Pereira Nunes, disse aos representantes de outros países que o Brasil tem leis que garantem a reserva de vagas no mercado de trabalho e nas universidades para portadores de deficiências e que essas legislações foram criadas após os resultados do censo demográfico 2000.

Segundo ele, o país foi pioneiro na América Latina na investigação sobre o número de pessoas que encontravam limitações para realizar sua atividade profissional.

"Ao invés de perguntar se a pessoa era surda, cega, muda, deficiente mental ou deficiente física, o questionário do censo 2000 indagava se a pessoa possuía algum limite para desenvolver atividades. Os dados mostraram, então, que no Brasil 14,5% da população eram portadores de deficiência, contra o percentual de 1,14% encontrados no censo de 1991", explicou Nunes.

Para a coordenadora-geral da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), Izabel Maior, a unificação das estatísticas vai estimular os governos a aperfeiçoar leis que melhorem a qualidade de vida dos portadores de deficiência.

"Os números são uma ferramenta muito importante, pois se você diz a um governante que tem 24,5 milhões de pessoas que de uma maneira mais ou menos acentuada tem limitações, é natural que esse governante se atente mais para o problema e inclua esse segmento nas políticas gerais ou até mesmo faça políticas específicas e ações afirmativas", acrescentou.

Izabel Maior enfatizou que na América Latina o Brasil é pioneiro em muitas ações para facilitar a inclusão do portador de deficiência. Segundo ela, no próximo dia 3, o país vai receber da organização não-governamental Centro Internacional de Reabilitação um prêmio por estar entre os cinco países mais inclusivos das Américas.