Foto: Roosevelt Pinheiro

 Governo e oposição prometem nova briga pela presidência da Câmara

O líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) criticou, nesta sexta-feira, a escolha do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como candidato à presidência da Câmara dos Deputados.

"O deputado Aldo é um grande deputado, mas ele é testemunha de defesa do José Dirceu. Como pode ser juiz? Como pode presidir o julgamento?". Para o líder da minoria, "o governo cometeu mais um grande equívoco ao escolher Aldo para candidato".

Aldo Rebelo, ex-ministro da Coordenação Política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi escolhido na noite desta quinta-feira, como candidato de três partidos da base aliada do governo: PT, PSB e PCdoB, que somam 118 deputados. Ele é testemunha no processo que pede a cassação de Dirceu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), ressaltou que qualquer presidente da Casa pode ter uma opinião a favor ou contra a cassação de deputados, mas deve seguir o que consta no Regimento da Câmara.

"A presidência da Casa e o ato de presidir sempre serão atos de caráter republicano dentro do Regimento, respeitando o direito ao contraditório e fazendo com que a Casa se expresse. O papel do presidente é garantir um ambiente para que a Casa se expresse por maioria a cada momento", afirmou Fontana.

O líder do PT disse ainda que não vê problemas em Aldo Rebelo já ter sido ministro do governo Lula. "Qualquer presidente que aqui esteja será de um partido que também pode estar do outro lado da rua no Palácio do Planalto", disse. E citou como exemplo o caso do ex-presidente da Câmara, Aécio Neves.

"Do mesmo jeito que o atual governador Aécio Neves presidiu a casa quando o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. Ele era do PSDB, mesmo partido do presidente, e evidentemente soube manter a devida independência dos poderes", lembrou.

A votação para o novo presidente da Câmara está marcada para as 10h da próxima quarta-feira. O prazo para que os deputados registrem as candidaturas é até às 18h de terça-feira. Até o momento, apenas João Caldas (PL-AL) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) fizeram o registro. Quem quiser desistir de disputar ao cargo pode retirar a candidatura até às 9h de quarta-feira.

Para que se inicie a sessão de votação, devem estar no plenário, no mínimo, 257 deputados. Segundo informações da secretaria-geral da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, para que não haja segundo turno o candidato deve ter os votos de metade dos presentes mais um. Caso isso não ocorra, o segundo turno está previsto para às 18h do mesmo dia.