Rio – O líder do PSB na Câmara, deputado Renato Casagrande (ES), disse hoje em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, que está otimista com a possibilidade de consenso para a votação das medidas de redução de gastos de campanha na próxima terça-feira (7), a tempo de serem aplicadas na eleição deste ano.

"Os líderes são unânimes em estabelecer mecanismos, por exemplo, de um teto para cada cargo. Não poderemos ter shows em comícios, distribuir camisas bonés, qualquer tipo de brindes, usar carros de som. Isso ajudará a baratear e a diminuir a influência do poder econômico nas campanhas eleitorais", disse.

Para o parlamentar, é fundamental buscar algum mecanismo de barateamento de campanha. "Porque senão só gente que tem algum esquema que pode ser ilícito ou gente rica poderá ser candidata", acrescentou.

O líder do PSB afirmou que este ainda é um passo pequeno para resolver o custo das campanhas, mas é o que pode ser feito agora, uma vez que a legislação não permite alterar as normas do processo a menos de um ano da eleição. "O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e STF (Supremo Tribunal Federal) compreendem que mecanismos de redução de gastos de campanha são procedimentos que não alterariam processos eleitorais. Isto estaria permitido e poderíamos aplicar já na eleição de 2006", esclareceu.

O deputado não descarta a possibilidade de ser mantida a permissão de usar imagens e de pessoas externas aos partidos nos programas eleitorais transmitidos no Rádio e na TV. Ele entende que isto faz parte da produção necessária para a campanha nos veículos de comunicação. "Sem uma produção desse material quem não tiver capacidade de se comunicar com o eleitor, não tiver certa desenvoltura no discurso, terá mais dificuldade. Acho que não vamos ter consenso com relação a este assunto. Por isso, acho que vamos manter a fórmula de hoje com participação de pessoas e imagens externas", afirmou.

Para o parlamentar, como não deve haver redução no tempo de campanha no Rádio e na TV, é preciso garantir a melhor produção dos programas. Ele acrescentou que, nos últimos anos, o país perdeu a oportunidade de aprovar uma reforma política e não pode deixar de fazer agora o que é possível.

"Em um país capitalista como o nosso, impedir a influência do poder econômico é muito difícil, mas temos que inibir um pouco e dificultar, para que o resultado da eleição possa representar mais a vontade popular", disse. Segundo o parlamentar, a influência do poder econômico é o principal fator da corrupção eleitoral e do uso de caixa dois nas eleições no Brasil.