Rio – O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman considera "inusitado" a forma como o reajuste do salário mínimo foi estabelecido, em uma negociação entre o governo e as centrais sindicais. Para o parlamentar, este processo de discussão do novo mínimo deveria ter sido feito entre o executivo e o Congresso Nacional. A depender do governo e das centrais, a partir de abril, o salário mínimo passa de R$ 300 para R$ 350.

"Nessa negociação, o governo federal se colocou como patrão e a CUT e outras centrais como representantes dos trabalhadores. Acho que as centrais também não tiveram, dos trabalhadores e dos que recebem da Previdência Social, a delegação para este tipo de discussão", criticou Goldman, em entrevista ao Programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional. "Esse é um processo de negociação que deve se dar entre o governo e Congresso Nacional, que representa o conjunto da população e representa também os interesses gerais do país."

Também em entrevista ao programa Notícias da Manhã, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu a importância da participação das centrais sindicais nas negociações. "É preciso também incorporar a participação da sociedade organizada no processo e amadurecer o processo democrático brasileiro", disse Marinho.

O ministro reconheceu que o Congresso Nacional poderá manter ou não o valor do mínimo acordado entre o governo e as centrais. Mas lembrou que para determinar alguma mudança, os parlamentares precisam dizer de onde deverão sair os recursos: "Espero que a oposição e a base aliada trabalhem com a sensibilidade de que esse é o valor possível de se incorporar no orçamento. Já existe um estresse com as prefeituras que terão dificuldade de cumprir o aumento para R$ 350."