Brasília (AE) – Com a alegação de que se trata de "zelar pela dignidade da comenda da Ordem do Rio Branco", o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu hoje ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que suspenda o direito do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), de usar a insígnia, enquanto não for esclarecida a denúncia de que cobrava propina do dono de um dos restaurantes instalados no Congresso, Sebastião Augusto Buani. Severino recebeu a medalha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (01), um dia antes de a acusação tornar-se pública. No requerimento que encaminhou a Amorim, Virgílio – que é diplomata licenciado – lembra que a suspensão da insígnia está prevista no regulamento do Conselho da Ordem do Rio Branco, "pela prática de atos contrários ao sentimento e à honra nacional".

Ele disse que a suspensão da condecoração de Severino "permitirá que os demais detentores da ordem do Rio Branco possam ostentá-la com orgulho". Da tribuna do Senado, Virgílio questionou os quesitos levados em conta na seleção dos condecorados. Pelo que ocorreu consigo mesmo, o líder do PSDB no Senado disse acreditar que a escolha é feita de forma "um tanto oportunista". "Tanto que fui medalhado três ou quatro vezes ao ano quando estava no governo e nenhuma vez na oposição", justificou. "Foram tantas as medalhas que recebi que, se fossem de ouro, eu estaria rico." Segundo Virgílio, o fato comprovaria a prática de usar as homenagens para "beneficiar amigos e não os adversários". De acordo com o líder do PSDB, é hora de os órgãos públicos, até mesmo o Legislativo, "pararem com esse automatismo que leva, muitas vezes, a condecorações de pessoas erradas".

"Da minha parte, não vejo motivos para devolver as comendas porque desempenho com dignidade o mandato recebido pelo povo do Amazonas", afirmou. Virgílio apoiou a iniciativa de deputados que querem o afastamento do presidente da Câmara durante a investigação da suspeita. "Até porque ele será árbitro do processo contra 18 deputados (acusados pelas comissões parlamentares de inquérito)", alegou. O líder afirmou ainda que o partido "se sente motivado" a entrar com uma representação contra Severino por ele ter acusado a legenda e o PFL de "estarem por trás da denúncia sobre a cobrança de propina". Mas ainda não sabe quando a decisão será tomada.