A cada dia mais lideranças paranaenses ligadas a entidades empresariais, sindicatos e usuários de ferrovias enviam manifestações de apoio ao Governo do Paraná para que a Justiça reveja a decisão que suspendeu provisoriamente a intervenção do Estado na Ferropar, concessionária que administra os 248 quilômetros da Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel. A decisão foi do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Na quarta-feira (27), o governo entrou com recurso para tentar reverter a decisão.

Assinada pelo presidente Rodrigo Costa da Rocha Loures, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) enviou um manifesto em apoio ao governo por acreditar tratar-se de ?ações que visam o desenvolvimento e exploração efetiva da ferrovia do Paraná e que, através da intervenção, motivada pelo precário atendimento à grande demanda de cargas do agronegócio produzidas nas regiões abrangidas por essa ferrovia, pode ser concretizada?, diz o texto.

Ainda de acordo com a Fiep, a posição de apoio à intervenção já era defendida pela entidade e ?foi com satisfação que a vimos adotada pelo Governo do Estado, como meio de recuperar as atividades dessa importante via de escoamento da produção do nosso Estado?.

A presidente da Federação das Mulheres do Paraná, Alzimara Bacellar, declarou que espera que a Justiça analise rapidamente as razões que o Estado apresentou para a intervenção. Entre os principais motivos ela destaca a falta de investimento da Ferropar. Outro motivo é a falta de pagamento das parcelas da concessão, que a Ferropar reprogramou, mas continuou não pagando.

Ainda sobre as alegações da concessionária, que justifica o não cumprimento daquilo que se propôs devido à falta de alguns repasses que deveriam ter sido feitos pela empresa América Latina Logística, Alzimara foi enfática: ?Como contribuinte, não tenho nada a ver com os desentendimentos da associação da Ferropar com a América Latina Logística. São duas entidades privadas em detrimento aos investimentos que foram feitos por sete milhões de paranaenses. A intervenção é uma medida justa, pois a ferrovia deve atender aos interesses dos paranaenses e não somente de uma minoria de empresas multinacionais como vem acontecendo hoje?.

Para o presidente do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná e Santa Catarina ? Sindimafer, José Carlos Rodrigues, a expectativa é de que a decisão judicial seja revertida. ?O governo está fazendo o que o povo da região quer: transportar mercadorias e deixar o frete mais barato?. Ele disse que assim como ele, muitos ferroviários estão torcendo para que ?o governo do Paraná saia vitorioso desta batalha?.

?Foi um capital do qual ela (Ferropar) se apropriou e não soube levar adiante. Nada mais justo do que o governo intervir e procurar ajudar a gerar mais empregos. Lá em Brasília, eles deveriam ouvir quem está mais próximo e vivenciando o problema?, declarou Areus Hermógenes, presidente da Associação dos Ferroviários de Paranaguá. Ele disse que não entende por que os juízes de Brasília, que estão tão longe do Paraná, contrariaram uma decisão emitida por um juiz que reside no estado, que está vendo de perto o problema.

O ex-governador do Paraná Emílio Gomes tem contribuído para a tomada de diversas decisões relativas ao transporte ferroviário, como a implantação do Corredor Oeste. Ele reiterou sua posição em favor da intervenção. ?A intervenção não pretende e nem pretendeu tirar poderes de quem detém a subconcessão e nem inovar sem o consentimento da própria diretoria?, observou. Ele afirma que ao se tratar de um fator econômico para o Paraná, o estado tem obrigação de recorrer para rever esta medida, como a suspensão da intervenção.

?Espera-se que a Ferropar tenha paciência, cooperando para achar um caminho e se ela tem alguma reivindicação que seja colocada na mesa junto ao interventor, mas não ficar nos jogos de natureza jurídica. Ao invés de dar prejuízo, esperamos que haja uma solução na administração e na possibilidade de reequipamento para atender a população dos produtores da região?, solicita Gomes.