Brasília – Os 72 parlamentares apontados pela CPI dos Sanguessugas por envolvimento fraudulento de compra de ambulâncias têm diferentes provas contra eles. A lista não classifica os suspeitos segundo as provas encontradas, sejam extratos bancários ou depoimentos contra eles. Tanto que uma das discussões mais acirradas da CPI ocorreu antes do fechamento do relatório na Biblioteca do Senado ao definir os critérios para escolher a forma citar os deputados e senadores.

O relator senador Amir Lando (PMDB-RO) pretendia dividir os 90 parlamentares notificados em três grupos: um com provas contundentes, outro com provas de "menor grau", que demandariam mais investigações, e um terceiro com inocentes. Apenas o primeiro grupo poderia ter os nomes encaminhados ao Conselho de Ética. Na reunião foi decidido que não importaria o "tamanho" das provas, e a defesa seria feita no Conselho de Ética.

De acordo com o relator, nem todos os 72 aparecem como recebedores de propina para compra superfaturada de ambulâncias. "Tem caso de propina, tem casos que não é uma questão de propina. Têm alguns que apontam para ter recebido alguma vantagem ilícita em razão do exercício do cargo. Agora tudo isso será apreciado dentro de um processo amplo, onde todos terão oportunidade de exercer direito de defesa", disse.

Ele explicou que esses parlamentares terão chance de ampla defesa nos Conselhos de Ética. "A instauração do contraditório acontece no Conselho de Ética, que é o fórum adequado", acrescentou.

Lando disse que sua missão em relação aos parlamentares investigados terminou com a aprovação do relatório. "Daqui para frente sai da minha órbita de responsabilidade. Daqui para frente sai da minha órbita de responsabilidade. Cada um tem que tomar providência que julgar necessária." Segundo ele, durante o período pré-eleitoral os trabalhos da CPI serão mais "contidos", mas deverão ser retomados de forma mais ampla.