O chefe de Polícia Civil do RJ, Álvaro Lins, apresentou hoje o traficante Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, que se entregou no fim da noite de ontem. Ele é acusado de ter coordenado o ataque ao ônibus da linha 350, que deixou cinco mortos, em 29 de novembro, no Rio.

Embora tenha se recusado a falar em depoimento, Lorde disse informalmente aos policiais que não ordenou o ataque ao ônibus e que, na noite do crime, estava num churrasco com a namorada Brenda Lizer Santos da Silva, de 19 anos, também é procurada por participar do incêndio ao ônibus.

Lins afirmou não ter dúvidas de que Lorde foi o mentor do ataque e não acredita na versão de que o crime fora ordenado pelo traficante conhecido como Mica, da Vila Cruzeiro, que é seu rival na facção criminosa Comando Vermelho. Mica teria se aproveitado do incidente para executar quatro integrantes da quadrilha de Lorde, abandonados num carro logo após o atentado.

Os advogados de Lorde negociaram a apresentação com a polícia. Ele estava escondido na favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e preocupado com as incursões da polícia em casas de parentes. Lins acredita que a divulgação ontem da foto da verdadeira Brenda pela polícia tenha influenciado na decisão dele.

O traficante pediu à polícia proteção na cadeia por temer rivais e ficará isolado dos demais presos. Levado para a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), onde passará por sessões de reconhecimento e prestará depoimento, Lorde deve ser encaminhado ao sistema prisional até a semana que vem.