O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no programa semanal de rádio Café com o Presidente, que é preciso pensar grande para o Brasil voltar a ocupar o seu lugar como grande indústria naval e vender as embarcações ao mercado externo. "Nós temos a Venezuela que precisa contratar dezenas de navios. Nós temos a Argentina, nós temos o Equador, nós temos a Colômbia", afirmou Lula. Ele lembrou que para conquistar esses mercados é preciso fazer parceria entre os países da Comunidade Sul-Americana de Nações.

Para o presidente, o Brasil só será soberano "se tiver uma indústria naval altamente forte". Em sua fala, ele também comentou que até mesmo as plataformas de exploração de petróleo em alto-mar, finalmente, estão sendo feitas no Brasil.

Sobre o potencial de geração de empregos do setor naval, Lula assegurou que o país vai dar um exemplo vivo. "Em Niterói, a gente tinha mais ou menos 3 mil trabalhadores. Hoje, já são 14 mil. Em todo o estado do Rio de Janeiro, nós já estamos com 20 mil empregos diretos e quase 60 mil indiretos no setor. Isso vai crescer porque os estaleiros vão ser espraiados pelo Brasil", acrescentou.

Segundo o presidente, não só a indústria naval será beneficiada com a retomada dos investimentos, mas também outros setores econômicos. "O Brasil inteiro vai se beneficiar porque você investir na indústria naval significa criar mais empregos na indústria do aço, na indústria química, no comércio, nos estaleiros e nos portos". Na opinião de Lula, uma cadeia de indústrias vai ser beneficiada com o investimento na indústria naval.

O presidente afirmou que há algum tempo o próprio governo desacreditava da indústria naval brasileira. Para ele, houve o desmonte de "uma coisa que nós tínhamos que era maravilhosa a troco de adotarmos uma política neoliberal, de transportar nossos produtos em navios de bandeira estrangeira e de estarmos fazendo prospecção de petróleo em plataformas contratadas em outros países".

Lula acredita que com a retomada dos investimentos na indústria naval, o governo e o povo estão provando que os brasileiros sabem fazer as coisas. "Aquilo que nós soubermos fazer, nós queremos fazer. Aquilo que nós não soubermos, nós vamos comprar lá fora. Mas, aquilo que a gente tiver competência, nós não abrimos mão. A indústria naval brasileira veio para ficar", disse.

O presidente agradeceu aos ouvintes do programa pela compreensão e afirmou que o povo brasileiro sabe superar dificuldades. Ele disse estar convencido de que o Brasil entrou numa rota de desenvolvimento, de crescimento, de geração de empregos que não tem retorno. "Nós vamos continuar crescendo pelo Brasil inteiro e isso me dá a certeza de que teremos um Natal extraordinário este ano e vamos ter 2006 muito melhor do que 2005 e o Brasil estará preparado para os próximos 10 anos. Crescer, crescer, crescer", concluiu.