Em discurso de pouco mais de 30 minutos, no Assentamento Amaralina, em Vitória da Conquista (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a referir-se à oposição, ao afirmar que não são poucos os que querem jogar para dentro do Palácio do Planalto algum erro ou processo de corrupção.

Lula reafirmou também que está tranqüilo e aberto para qualquer investigação e assegurou que quem cometeu erros ou práticas ilícitas deverá ser punido.

"Eu sou mais aberto do que coração de mãe. Não tem nada mais maleável e sensível que coração de mãe. Não haverá de nossa parte nada que não possa favorecer qualquer investigação", afirmou.

Para os que criticam o "imobilismo" do governo em relação às denúncias, ele disse que o presidente da República não pode punir ninguém, mas, no máximo, afastar.

Lula afirmou também que a administração federal não beneficiará nenhum envolvido. "Isso vale para a minha casa, meu partido, meus amigos sindicalistas e o povo brasileiro. Nós nascemos para andar corretamente." Segundo ele, o papel do presidente não é perder a paciência nunca.

"Qualquer cidadão pode ficar nervoso e xingar. Toda vez que fico nervoso, a Marisa (Letícia Lula da Silva, primeira-dama) chama a minha atenção. ‘Você não pode, você é presidente, você tem de contar até dez antes de falar’", disse.

"O povo também não gosta de presidente que fica gritando berrando. O povo quer um presidente que converse com ele como um pai e uma mãe conversam com seus filhos", destacou.

"Quero dizer aos ministros e aos meus companheiros: nunca tive a certeza que ia ser fácil governar o Brasil e não ter problemas", disse, admitindo que podem ainda surgir outras questões.

"Eu sei que tem estes e podem surgir muitos outros." O presidente foi bastante aplaudido por uma multidão de, aproximadamente, 3 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.

Lula acenou para estudantes de caras pintadas que estampavam a faixa: "Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo".

"Se mexerem com vocês, também vão mexer comigo", declarou o presidente. Lula reafirmou que continuará o ritmo de viagens pelo interior do Brasil.

"Fiquem certos que essas minhas viagens deixam as pessoas irritadas. Vou chegar em casa e terei outra e outra reunião, mas não vou deixar de andar no meio do povo. Eu sou um homem tranqüilo porque tenho minha consciência limpa e tranqüila."