O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o embaixador Ronaldo Sardenberg, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, para participar de seu governo no segundo mandato. O convite de Lula é para que Sardenberg presida a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas, na conversa com o embaixador, o presidente deixou claro que as portas estão abertas para a eventualidade de ele vir ocupar outro cargo, inclusive de ministro.

?Quero você perto de mim?, disse Lula a Sardenberg, que está deixando a chefia da missão permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). Para o seu lugar foi indicada a atual diretora do Departamento de Organismos Internacionais, Maria Luiza Viotti.

A definição de um nome para ocupar a presidência da Anatel se arrasta há mais de um ano, quando, em novembro de 2005, terminou o mandato do então presidente Elifas Gurgel do Amaral. A vaga estava prometida ao PMDB, mas disputas internas do partido tornaram inviável a indicação de um nome para o cargo.

Além de divergências entre a cúpula do PMDB e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, contribuiu para agravar a situação a oposição ferrenha da ala sindical do governo, liderada principalmente pela Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), cujo presidente é José Zunga, que é próximo da CUT e amigo pessoal de Lula.

Mandato tampão

Desde a saída de Elifas, a presidência da Anatel vem sendo ocupada pelo conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, já indicado pelo governo Lula. Plínio sempre soube que estava apenas cumprindo uma espécie de ?mandato tampão? até que Lula conseguisse formalizar uma indicação para o comando de uma das principais agências reguladoras do País e sempre alvo de disputas políticas, principalmente por parte do PT.

A disputa política não deve se encerrar com a eventual confirmação de Sardenberg. Os sindicalistas ligados ao PT insistem em interferir na gestão de regulamentação do setor de telecomunicações e pressionam para ocupar outra vaga aberta no conselho diretor da Anatel, com o fim do mandato de Luiz Alberto da Silva.

O embaixador Ronaldo Sardenberg é formado em direito pela Universidade do Brasil e foi professor do Instituto Rio Branco e da Universidade de Brasília. De 1995 a 1998, ocupou a secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso.

No primeiro semestre de 1999, foi nomeado ministro extraordinário de Projetos Especiais, sendo o responsável pelas políticas nuclear e espacial e pelos projetos Sipam e Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). No período de julho de 1999 a 2002, no segundo mandato de Fernando Henrique, foi ministro da Ciência e Tecnologia. Em 2003, assumiu a representação do Brasil nas Nações Unidas.