O presidente Luiz Inácio Lula da Sul criticou hoje a terceirização de empregos no governo federal, alegando que esta foi a forma de o Estado se livrar da responsabilidade de administrar o País. "A terceirização foi uma forma de o Estado brasileiro se livrar da responsabilidade de administrar o País", disse Lula, em entrevista concedida hoje à rádio CBN, a primeira exclusiva como candidato.

Questionado sobre se possui algum plano de privatizações para um eventual segundo mandato, Lula não descartou totalmente a possibilidade na área de estradas, mas evitou tratar do assunto como uma estratégia de seu governo. "Nós faremos concessões na medida em que os preços forem compatíveis com o poder de pagamento", disse o presidente, acrescentando que o que não se pode fazer é "extorquir o povo brasileiro" com pedágios caros demais. "Se tiver alguma estrada que economicamente seja necessário privatizar nós vamos fazer", emendou.

Ao comentar o assunto das privatizações e terceirizações, Lula aproveitou para relembrar o "apagão" de 2001. Segundo ele, os leilões de linhas de transmissão feitos em seu governo são um exemplo do que deveria ter sido feito antes mas nunca foi aplicado. Ele disse ainda que o Brasil está preparado a ponto de permitir que sejam abertos processos de licitação ainda este ano para duas novas hidrelétricas

Lula também afirmou que, se permanecer à frente da Presidência, deverá, no segundo mandato, cuidar de forma muito ousada da questão da educação. "Nós terminaremos 2006 com quatro novas universidades federais, seis faculdades transformadas em universidades, com 48 extensões universitárias por todo interior do País, e com 32 escolas técnicas que serão inauguradas até o fim do ano". Lula falou que, sem investimento na educação, o País não conseguirá dar um salto de qualidade. Com a educação, será possível oferecer mais conhecimento, mão-de-obra melhor qualificada, produtores melhores e valor agregado nos produtos que são exportados.

O presidente abordou a questão da dívida pública. Na sua opinião a situação melhorou muito, pois ela diminuiu de 58% para 50% e foi "desdolarizada". "A dívida pública não é um problema na medida em que países como os Estados Unidos têm uma dívida pública maior que o PIB e se levarmos em conta que a Itália tem mais de 100% de dívida pública", afirmou. "Antes, nós tínhamos quase que 40% da nossa dívida dolarizada, agora é quase nada. Estamos trabalhando para diminuí-la, vamos manter o superávit fiscal para apontarmos para nossos credores e para as pessoas que têm dinheiro aplicado que vamos arcar com nossas responsabilidades. Vamos combinar essa seriedade na política de controle fiscal com uma forte política social".