O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a necessidade de consolidar a união política entre os países da América Latina e da África, de modo que eles tenham mais força no cenário mundial. "É essa relação política que vai fazer com que tenhamos força na hora que quisermos mudar a ONU (Organização das Nações Unidas) e que pode ajudar a mudar a correlação de forças dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio)", disse o presidente, na abertura do 16º Congresso Continental da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres.

O presidente disse que essa é a razão de ter sido o presidente brasileiro que mais visitou os países latino-americanos e africanos. De acordo com Lula, a mudança de relação entre os países vizinhos foi responsável por tirar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) da pauta de discussões do governo brasileiro. "Faz dois anos que não se discute mais Alca no Brasil", afirmou. Para o presidente, é preciso que os países latino-americanos estabeleçam políticas de complementariedade para acabar com as disputas internas e com a valorização excessiva do que é produzido nos países desenvolvidos.

Lula chamou a atenção para o fato de que 2006 será um ano eleitoral em diversos países da América Latina e que essa será uma oportunidade de se fazer as mudanças necessárias. Ao mesmo tempo, Lula afirmou que as eleições não podem ser a única preocupação dos políticos. "Não se pode pensar nas próximas eleições porque senão você não sai do seu país, não faz política externa e não estabelece um novo padrão de enfrentamento democrático nos fóruns multilaterais", disse.

O presidente não chegou a falar em reeleição, mas ao comentar a expectativa que se cria quando um dirigente sindical é eleito afirmou: "Quando vocês tomam posse, percebem que para concretizar a expectativa gerada leva mais tempo do que vocês imaginaram, muito mais tempo". Sobre as eleições na América do Sul, o presidente defendeu que é preciso tomar cuidado com o processo eleitoral para evitar retrocessos nas conquistas políticas.

Lula disse que, ao deixar de ser presidente, pretende voltar ao movimento sindical. "E quando deixar a Presidência, pode ficar certo companheiro Marinho (Luiz Marinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores – CUT), que me verá em muitas assembléias do sindicato dos metalúrgicos, porque eu estou presidente, mas o que eu sou mesmo é um dirigente sindical", afirmou ele.