Brasília (AE) – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação em relação ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mas revelou que o presidente deixou claro que ele permanecerá no cargo. Segundo Aécio, Lula reiterou por várias vezes que a presença de Palocci no governo é importante para o crescimento da economia.

Aécio relatou a reunião que Lula lhe contou que manteve na noite de ontem (21), no Palácio do Planalto. "Senti no presidente uma disposição grande de manter Palocci à frente da economia. Seria surpresa (para mim) se ele sair", declarou, após se encontrar hoje com Lula. "Eu, pessoalmente, acho que a presença de Palocci é saudável", afirmou. O governador de Minas Gerais acrescentou: "A não ser que surjam fatos absolutamente novos e fora de controle, acho que, para o Brasil, a presença do ministro Palocci é importante. Sobretudo nós, do PSDB, que temos condições de vencer as eleições presidenciais, preferimos assumir um país com a economia estabilizada e com contratos honrados e não um país desorganizado".

Aécio admitiu, indiretamente, que, em determinados momentos, os tucanos fazem uma oposição "inconseqüente" e "radical" em relação à administração federal. "A oposição que o PT fez ao governo Fernando Henrique Cardoso, radicalizada e inconseqüente, não serve de modelo ao meu PSDB", disse. "O PSDB tem uma referência na sociedade. Devemos fazer uma oposição dura e contundente, apontando as falhas do governo, mas que seja também construtiva." Sobre a atuação dos tucanos nas comissões parlamentares de inquérito (CPIs), o governador de Minas disse que o partido não ficará a "reboque" do PFL. "Deveríamos dedicar nosso esforço para construir um projeto para o País, não um projeto messiânico como o PT apresentou há três anos, mas um projeto sensato e com os pés no chão", declarou.

Aécio evitou críticas diretas aos considerados possíveis candidatos tucanos à sucesso do presidente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o prefeito da capital paulista, José Serra. Mas avisou que uma candidatura da legenda deverá passar por Minas Gerais. "Uma candidatura não será uma decisão de um diretório regional", alertou, acentuando que "os tucanos paulistas estão trabalhando com muita legitimidade para ocupar seus espaços, isso é natural."

Na conversa, Lula confirmou a Aécio o repasse, ainda nesta semana, de R$ 900 milhões da Lei Kandir para os governos dos Estados. Segundo o governador, a partir da próxima semana, os governadores estarão no Congresso para negociar com bancadas e relatores a garantia da transferência das reposições de 2006. Aécio avalia que, em 2006, o Poder Executivo federal poderá repassar R$ 5,2 bilhões para os governos estaduais. A rubrica estabelecida pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, é de R$ 4,3 bilhões.