O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta quinta-feira (31) que o Rio Grande do Sul tem um "déficit operacional fantástico", citando que o problema é crônico e começou antes dos últimos governos. "Nenhum Estado consegue sobreviver adequadamente se o gasto com inativos é maior que com os ativos", afirmou, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, ao responder sobre as dificuldades econômicas do Estado.

Lula voltou a fazer referência aos acordos que os Estados assinaram com a União para renegociar a dívida mobiliária (em títulos). Na época, os Estados consideraram os acordos "maravilhosos", mas agora "todos acham que não vale mais nada". Ele lembrou que o Ministério da Fazenda irá formar um grupo de trabalho para discutir com o Rio Grande do Sul uma saída para o peso da dívida. "E possivelmente se encontrarmos uma saída para o Rio Grande do Sul possamos encontrar uma saída para outros Estados", comentou.

Antes disso, no entanto, o Estado precisa tomar a decisão de sanear seus problemas internos, recomendou Lula. Além disso, ele reiterou que qualquer medida precisará respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Conforme o presidente, depois de quatro anos na presidência de um País como o Brasil, "você deixa de construir fantasias e passa a trabalhar com a realidade pragmática que os fatos e a nação te impõem". Lula disse que problemas do Rio Grande do Sul são similares aos de outros Estados e que o governo federal precisa trabalhar com a complexidade das diferentes situações.

Lula também repetiu que tomará pessoalmente a iniciativa de procurar os partidos políticos para negociar acordos e considerou positiva a idéia de uma "concertação", defendida pelo ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro. "Vou tentar ver se é possível fazer uma concertação com os partidos políticos, definir as coisas importantes", disse Lula.

Na entrevista, o presidente também voltou a dizer que o governo não elevou a carga tributária, ao responder sobre o aumento de arrecadação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Lula defendeu que a arrecadação pode crescer sempre em comparação ao PIB, acompanhando a expansão da economia, mas argumentou que o governo não aumentou nenhum imposto, exceto o PIS e Cofins para o setor de serviços e para produtos importados, a pedido das empresas nacionais. Lula afirmou que o governo promoveu desonerações que representam quase R$ 20 bilhões.