O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, em seu discurso de posse, que, "mais do que a qualificação para o mundo do trabalho, a educação é um instrumento de libertação, que o acesso à cultura propicia." Lula associou a aquisição da instrução à conquista da cidadania, ao afirmar que o desenvolvimento da educação é uma das tarefas básicas de seu novo mandato. "(A educação) dá conteúdo à cidadania formal de homens e mulheres. Um país cresce quando é capaz de absorver conhecimentos. Mas se torna forte, de verdade, quando é capaz de produzir conhecimento.

O presidente falou na necessidade de valorizar "todos os níveis do sistema educacional – sem exceção, fortalecer a pesquisa pura e aplicada, consolidar a incorporação e o desenvolvimento de novas tecnologias" e afirmou que esse é "um gigantesco desafio".

Segundo Lula, o fundamental é a superação "dos grandes déficits educacionais" que afligem o País e, ao mesmo tempo, dar "passos acelerados" para transformar o País em uma sociedade de conhecimento".

O presidente destacou a lei recentemente aprovada pelo Congresso que criou o Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), que considerou "um instrumento fundamental para melhorar a educação básica", pois permitirá o aumento do investimentos nas áreas mais carentes de ensino e a aplicação de 60% dos seus recursos na melhoria de salários e na formação do professor. O presidente defendeu o programa Universidade Aberta e o ProUni, a necessidade de renovação tecnológica do ensino, informatizando todas as escolas públicas.

Reforma política

Ao falar do descrédito atual em torno da política, Lula defendeu a realização da reforma política pelo Congresso: "Temos de construir consensos que não eliminem nossas diferenças, nem apaguem os conflitos próprios das sociedades democráticas. Precisamos de um sistema político capaz de dar conta da rica diversidade de nossa vida social. Nossas instituições têm de ser mais permeáveis à voz das ruas.

Na visão do presidente, "a reforma política deve ser prioritária no Brasil." Ele convidou todos os parlamentares a um debate "urgente" e ao encaminhamento da proposta de reforma política "ao lado de outras reformas importantes, como a tributária".

Na política externa, o Brasil, segundo Lula, "associa seu destino econômico, político e social ao do continente, ao Mercosul e à Comunidade Sul-americana de Nações.

O presidente defendeu ainda os direitos das mulheres, a preservação do meio ambiente, o respeito aos direitos humanos. Ao comentar sua reeleição, criticou aqueles que, "do alto de seus preconceitos elitistas’, tentaram "desqualificar a opção popular como fruto da sedução que poderia exercer sobre ela o que chamavam de ‘distribuição de migalhas’, mas os que pensam assim não conhecem este país.

Oração

Lula pediu compreensão à oposição em relação ao segundo mandato: "Quero pedir, apenas, que olhemos mais para o que nos une do que para o que nos separa. Que concentremos o debate nos grandes desafios colocados para o nosso país e para o mundo."

O presidente concluiu seu discurso com uma oração: "Reconheço que Deus tem sido generoso comigo./Mais do que mereço./Eu pedi forças…/ e Deus me deu dificuldades para fazer-me forte./Eu pedi sabedoria…/e Deus me deu problemas para resolver./Eu pedi prosperidade… e Deus me deu cérebro e músculos para trabalhar./Eu pedi coragem…/e Deus me deu perigos para superar./Eu pedi amor…/e Deus me deu pessoas com dificuldades para ajudar./Eu pedi dádivas…/e Deus me deu oportunidades./Eu não recebi nada do que pedi, mas eu recebi tudo que precisava./Muito obrigado.