Acertada de forma sigilosa entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o diretor-geral brasileiro da Hidrelétrica Itaipu Binacional, Jorge Samek, a antecipação da visita do presidente Lula a Foz do Iguaçu, que deveria ocorrer apenas na segunda-feira, 21, foi cercada também de mistérios. Lula e sua mulher, Marisa, chegaram por volta das 11h45, saíram por uma porta lateral do Aeroporto Internacional de Foz e seguiram até o hotel.

De lá, foram para a usina de Itaipu, conhecer o canal da piracema. Novamente despistando os jornalistas, saíram por trás do hotel.

O próprio diretor-geral de Itaipu confessou que o casal não pretendia que a viagem fosse divulgada, alegando que se tratava unicamente de lazer. Mas a notícia acabou vazando no fim da tarde de sexta-feira. Os jornalistas foram barrados na entrada do parque. Conseguiram entrar pagando ingresso, como turistas. Mas o lazer deve ter dado trabalho para o presidente – ele também deve ter tido uma idéia de como estão as estradas brasileiras, principalmente no percurso da BR-469, que corta o Parque Nacional do Iguaçu e que, repleta de buracos, representa um percurso cheio de solavancos.

Antes, uma faixa já questionava, apesar do erro na numeração da rodovia: "Lula, e a BR-369, como fica?". E outra dirigia-se ao PT: "PT, e a carga tributária, até quando?

No início da tarde, enquanto os jornalistas esperavam em frente ao hotel, o presidente saiu pelos fundos e foi conhecer o Canal da Piracema, ao qual ele se referira quando defendeu a construção de usinas hidrelétricas. "Isso ele vai querer ver", já tinha afirmado Samek, enquanto aguardava Lula no aeroporto. Na semana passada, Samek foi chamado a Brasília para falar dessa obra feita em 2002.

O canal, que tem 10 quilômetros de extensão, foi construído para vencer o desnível de 120 metros entre o Rio Paraná e o reservatório de Itaipu. Com isso, os peixes conseguem subir a correnteza para a desova. Essa é uma das alternativas citadas pelo presidente para amenizar a discussão sobre problemas ambientais na construção de usinas. Parte do canal de Itaipu também é utilizada para competições e treinamento de equipes de canoagem.