Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu hoje que o governo não vai deixar impunes os assassinos dos três fiscais do Trabalho e o motorista da delegacia Regiopnal do Trabalho de Minas Gerais, e muito menos diminuir a fiscalização ao trabalho escravo. Ao discursar durante o culto ecumênico em memória dos fiscais, na Catedral de Brasília, o presidente foi enfático. “Eu quero dizer ao ministro que se três fiscais incomodaram tanto que trataram de assassiná-los, a ordem é mais fiscais. Incomodá-los muito mais, porque não poderemos descansar enquanto houver nesse país alguém voltando a ser escravo de uma nação que aboliu a escravidão em 1888”, afirmou Lula.

O presidente deixou claro porém que não vai cobrar pressa da Polícia Federal nas investigações para encontrar os criminosos ou mandantes dos assassinatos. Segundo Lula, o governo está fazendo “o que pode ser feito de melhor” para impedir a impunidade dos assassinos. “Nem todo crime é desvendado, mas o que eu posso garantir aos familiares é que faremos o que estiver ao nosso alcance para sabermos quem matou, e se tem alguém que mandou esse alguém matar. Não descansaremos enquanto não apurarmos isso para que sirva de lição a outros que porventura tenham a disposição de matar”, garantiu Lula.

Ao dirigir-se aos familiares dos fiscais e do motorista assassinados, sentados na primeira fila da Catedral, o presidente admitiu que tinha pouco a dizer diante de tamanha brutalidade. “Chorem o que puderem chorar. Porque quando a gente perde um ente querido, a gente faça o que a gente fizer, não o teremos de volta. O que consola é saber que a pessoa que morreu era gente de bem, estava cumprindo com a sua função com dignidade para favorecer pessoas que tinham tido na vida menos sorte do que eles”, afirmou.

Lula adiantou que o governo vai encaminhar ao Congresso projeto de lei solicitando indenização às famílias das vítimas até que os filhos dos fiscais assassinados entrem na universidade – a mesma decisão tomada pelo presidente aos familiares dos mortos na Base Espacial de Alcântara, no ano passado. “É o mínimo que o Estado pode fazer para pessoas que morreram prestando serviço à comunidade”.

Ao citar nominalmente o nome dos fiscais e do motorista, o presidente utilizou uma metáfora para homenagear os mortos. “Essas pessoas que morreram produziram filhos, como se uma árvore tivesse produzido um fruto. E nós precisamos cuidar que esses frutos produzidos pelos companheiros assassinados possam se tornar sementes e árvores tão vigorosas quanto a do Ailton, a do Erastóstenes, a do João Batista e a do Nelson José da Silva”.

O presidente assistiu ao culto acompanhado pela primeira-dama, Marisa Letícia, e várias autoridades do governo federal. Além do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, 14 ministros compareceram à homenagem. O culto ecumênico foi celebrado pelo cardeal-arcebispo de Brasília, Dom José Freire Falcão, e pelo assessor especial da Presidência da República, Frei Betto.

Antes da cerimônia, o presidente recebeu os familiares das vítimas em uma sala reservada na Catedral de Brasília.