Em clima de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje (21) programas de alfabetização de seus antecessores e disse esperar poder alfabetizar todos os brasileiros analfabetos com o programa Por um Brasil Alfabetizado. Em cerimônia de formatura de 40 mil alunos no Rio, Lula disse que outros governos ensinavam as pessoas apenas a "desenhar seus nomes", em cursos que duravam, no máximo três meses. Cerca de 900 ônibus vindos do interior do Estado do Rio trouxeram os alunos, que, com bandeiras do Brasil e camisas verdes ou amarelas, participaram de uma festa com vôos rasantes de caças da Aeronáutica.

"Já houve outros programas que tentavam alfabetizar em oito semanas, ou dois ou três meses. Nós não queremos que as pessoas aprendam a desenhar seu nome. Queremos que leiam um livro", afirmou o presidente, que fez um discurso rápido sem referências a temas espinhosos, como a crise política ou o referendo sobre a proibição da venda de armas. As críticas continuaram quando o presidente cumprimentou dona Maria das Dores Santos Silva, de 94 anos, uma das formandas. "Tinha gente que não queria que a gente gastasse dinheiro com gente de idade, que a gente só gastasse dinheiro com a juventude".

Segundo dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), os alunos do programa no Estado do Rio, são, em sua maioria, mulheres entre os 41 e 50 anos de idade, que representam 21,7% dos beneficiados. A parcela dos que têm mais de 60 chega a 16%. Dona Maria das Dores foi convocada pelos organizadores para representar essa fatia e leu uma carta no palco, após receber um abraço do presidente.

"Com o diploma embaixo do braço, com uma profissão, aumentam as chances de vocês ganharem mais de um salário mínimo, de melhorarem sua qualidade de vida", disse Lula aos formandos. Antes, porém, uma das estudantes convidadas a discursar, Maria Célia, de 37 anos, mãe de quatro filhos, reconheceu que suas chances aumentariam depois de "aprender a anotar recado", mas desabafou: "Arrumar emprego continua muito difícil, mas ainda tenho esperança".

O Ministério da Educação e a Firjan assinaram hoje um convênio para estender os benefícios do programa a quem quiser cursar da 5a à 8a séries do ensino fundamental. No primeiro ano, serão beneficiados 2 mil alunos, que já completaram a 4.ª série pelo programa. Todas os os cursos são profissionalizantes. O ministério vai gastar, este ano, R$ 220 milhões com a alfabetização de 2,2 milhões de pessoas em todo o País.

"Espero estar vivo para voltar aqui e não ver ninguém vestido de amarelo (cor dos estudantes da alfabetização), porque aí vão poder dizer que o Brasil teve coragem de ensinar essa gente a ler", afirmou o presidente, que cometeu um ato falho ao dizer que esperava comparecer à formatura dos alunos que iniciarão os estudos no ano que vem, cuja cerimônia só ocorrerá em 2007, após as eleições presidenciais.