O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, que demitiu o ministro José Dirceu do comando da Casa Civil no ano passado. Desde que estourou a crise do mensalão, esta é a primeira vez que Lula desmente a versão – dada por ele mesmo – de que a iniciativa de deixar o cargo foi de Dirceu, na época um dos dois ministros mais poderosos. Lula afirmou ainda que demitiu Antonio Palocci, então ministro da Fazenda.

"Eu o afastei. Afastei o Zé Dirceu, afastei o Palocci, afastei outros funcionários que estavam envolvidos e vou continuar afastando", disse Lula, que encerrou a série de entrevistas promovida pela Rede Globo com os principais presidenciáveis.

Pouco mais de um ano atrás, em 16 de junho de 2005, o Palácio do Planalto divulgou carta de Dirceu endereçada ao "querido companheiro e amigo" Lula, em que ele pede seu afastamento. "Diante dos graves ataques desferidos nos últimos dias ao nosso governo, ao nosso partido e a mim mesmo, decidi pedir-lhe meu afastamento das funções de ministro-chefe da Casa Civil, para reassumir meu mandato na Câmara", escreve.

No mesma ocasião, o próprio Planalto divulgou carta do presidente em resposta ao "Querido Zé", em que aceita sua saída. "Recebi seu pedido de afastamento das funções de chefe da Casa Civil. Decidi aceitá-lo, louvando seu desprendimento pessoal. Só pessoas de sua grandeza são capazes desses gestos.

Dois dias antes, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) cobrara, ao depor ao Conselho de Ética da Câmara, a saída de Dirceu, acusando-o de ser o mentor do mensalão. "Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai daí rápido, Zé." Em 30 de novembro, a Câmara cassou o mandato do petista.

Gafes

A exemplo do que ocorreu com o candidato tucano, Geraldo Alckmin, o presidente não foi poupado de temas desconfortáveis, como a corrupção, assunto de várias perguntas dos entrevistadores. Lula chegou a cometer gafes ao longo dos pouco mais de 11 minutos de entrevista.

Logo no início, ele disse que seu governo era um exemplo de "combate à ética", ao comentar as ações do Ministério Público Federal. Ao término, quando fazia um balanço positivo da economia, disse que "o Brasil vive seu melhor momento econômico, cresce emprego, cresce a economia e a única coisa que cai é o salário". Depois, Lula se corrigiu: "Os juros e a inflação.