Enquanto o presidente Lula faz campanha semi-aberta em cidades nordestinas, respeitando ao pé da letra as limitações impostas pela legislação eleitoral, mas levando ao limite do possível a exibição de seu inesgotável carisma, sobrou para a tucanagem mais uma paulada.

O Datafolha publicou ontem os números referentes à pesquisa de intenção de votos realizada nos primeiros dias do mês e, como se previa, Lula aparece na frente de qualquer outro candidato, a começar com o prefeito paulistano José Serra, ganhando nos dois turnos.

Essa pesquisa confirma a que tanto furor causou nas hostes da social-democracia a sondagem feita pela CNT/Sensus, a mesma que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmou ser tendenciosa e conduzida de acordo com as conveniências do Planalto.

É bom ficar de antena ligada para verificar a apreciação do líder do partido no Senado sobre a desenvoltura eleitoral de Lula, ascendente como constata o Datafolha e fator que torna mais aguda a urticária que insufla o ninho tucano.

Lula supera Serra por 39% a 31% no primeiro turno, e por 48% a 43% no segundo. Na pesquisa anterior, feita em agosto, as intenções de voto davam vitória apertadíssima para Serra no primeiro turno (34% a 33%) e mais folgada no segundo (49% a 41%).

A recuperação do cabedal de votos de Luiz Inácio foi detectada exatamente entre as faixas de eleitores com menor escolaridade e renda familiar. Não por acaso ele marcou uma série de viagens a cidades do interior nordestino, onde o governo vai implantar cursos de extensão universitária – até agora não explicitados quanto ao que pretendem ensinar -mas pensados com o extremo cuidado para causar impacto favorável no eleitorado.

A perda de fôlego dos prováveis candidatos tucanos à sucessão presidencial, presos a uma discussão infindável que mostra seus efeitos negativos, decerto levará o triunvirato FHC-Tasso-Aécio a abrir o diálogo com os demais setores do partido em busca de estratégia imediata para conter a escalada de Lula.

Ninguém pode alegar surpresa diante da recuperação da popularidade pelo presidente da República, algo que os especialistas já intuíam e as últimas pesquisas confirmaram. Os principais adversários precisam agora é afinar discurso com força suficiente para minar a resistência do presidente mais popular depois de Juscelino. Algo bastante difícil.