Em seu discurso na cerimônia de lançamento da pedra fundamental do complexo petroquímico binacional da Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente da Odebrecht, Emílio Odebrecht, que sua empresa reconsidere do pólo gás-químico boliviano, projeto suspenso desde a nacionalização das reservas de petróleo e gás na Bolívia.

"Já falei ao Emílio Odebrecht e também à direção da Braskem que é preciso construir um pólo petroquímico também na Bolívia", disse Lula, que tinha entre seus ouvintes o presidente boliviano Evo Morales. Na sua opinião, os projetos de integração do continente devem passar também pelo setor empresarial. "Nem sempre a vontade política se reflete nas empresas."

A Braskem já avaliou, em parceria com a Petrobras, a construção de um pólo gás-químico binacional, que custaria US$ 1,3 bilhão para produzir 600 mil toneladas de polietilenos a partir do gás boliviano. "Temos que entender como fica a relação entre Petrobras e YPFB (antes de voltar a discutir o projeto)", disse o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, ressaltando que é preciso que o gasoduto Bolívia-Brasil seja ampliado em 5 milhões de metros cúbicos para que o projeto seja viável.

A empresa avalia que as condições de mercado ainda são favoráveis ao projeto, mas que os cronogramas deverão ser revistos, já que a Petrobras iniciou no Brasil o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

"O mercado brasileiro de resinas vai crescer 400 mil toneladas por ano, o que daria para implementar uma planta como essa da Venezuela a cada três anos. Só precisamos ver o tempo de cada investimento", disse o diretor da Braskem Alexandrino de Alencar.

O projeto da Venezuela foi comemorado pelo presidente do país, Hugo Chávez, como um grande projeto de integração sul-americana, que deve ser seguido em outros países. "Precisamos descobrir o potencial de cada país", concordou Lula.