A deputada Maninha (DF) – integrante do grupo de vice-líderes do PT que ontem entregaram seus cargos, após o depoimento do publicitário Duda Mendonça na CPI dos Correios – disse há pouco esperar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aponte hoje, em pronunciamento à Nação, quem são as pessoas éticas do PT que continuarão a alavancar politicamente seu governo, distinguindo-as daquelas que devem ser expulsas e punidas.

"Se ele não tomar essa iniciativa, nem eu nem os meus companheiros vamos continuar em sua base de sustentação", afirmou Maninha. "Vai haver uma diáspora no PT". A deputada está neste momento, na portaria do hotel onde está hospedado o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ontem à noite foi recebido por Lula para jantar, na Granja do Torto. Conforme informou Maninha, sindicalistas, deputados e líderes de movimentos políticos e sociais receberam um convite da embaixada venezuelana para se encontrar com Chávez.

Maninha, entretanto, deixou claro que não comunga da avaliação de Chávez de que a crise política brasileira foi uma espécie de golpe planejado pela direita. Para ela, a direita ainda teve muita tolerância com o governo, no início da crise, mas, em determinado momento, concluiu que teria a oportunidade de derrubar o PT e o presidente Lula.

"Esse golpe foi urdido internamente", afirmou Maninha. Para ela, o PT vive um momento de vida ou morte, e o governo está caminhando para um despenhadeiro. "Estamos feridos mortalmente. Queremos que essa camarilha seja punida. Que o presidente mostre que está ao lado das pessoas éticas", acrescentou.

Questionada sobre uma declaração do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (SP) – que renunciou ao mandato após ser acusado de ser um dos beneficiários do mensalão – à revista Época, de que Lula estava ciente do esquema de corrupção, Maninha desafiou o ex-deputado a apresentar provas de sua afirmação.