O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, comprometeu-se hoje, durante encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, manter o rigor fiscal,  honrar os contratos e controlar a inflação, mas reafirmou que, se vencer a eleição, começará a mudar a política econômica no primeiro dia de seu governo. Afirmou que tem consciência da gravidade da situação do País e prometeu dialogar com todos os segmentos da sociedade brasileira para vencer a crise.

Lula entregou ao presidente Fernando Henrique um documento de quatro páginas. Nele, há mais de seu programa de governo do que respostas aos apelos que o presidente da República tem feito para que diga, claramente, quais são seus planos para um eventual governo petista.  Lula evitou ainda fazer comentários direto, na leitura de seu texto no Palácio do Planalto, a respeito do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Minutos antes de embarcar num vôo particular para São Paulo, o candidato esclareceu que não falou a respeito do FMI porque já o tinha feito no dia em que o acordo foi assinado, em nota oficial. No documento, Lula admitiu que o atual governo não tinha outra saída a não ser buscar o acordo com o Fundo.

Mais do que ouvir Fernando Henrique, Lula fez reivindicações, todas elas baseadas no seu programa de governo. Segundo Lula, diante das turbulências financeiras das últimas semanas, torna-se necessário agir de imediato. No texto que entregou ao presidente e depois leu, ele afirma: ?Não é possível esperar até que o próximo presidente tome posse, em primeiro de janeiro de 2003, sob pena de vermos ampliadas a inadimplência das empresas brasileiras, o desemprego e a recessão. Em particular, torna-se prioritário impedir que as nossas reservas cambiais estratégicas sejam consumidas, na medida em que o novo acordo com o FMI não prevê, no curto prazo, aporte financeiro significativo. Sabe vossa excelências que isso constrangeria perigosamente a gestão futura da economia?.