O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje duros ataques ao Senado pelo fato de ainda não ter votado projetos de interesse social que cria o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e até aos movimentos sociais que alugam ônibus para protestar contra o governo. Em discurso de improviso num ginásio de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, Lula disse que há pessoas que pensam que aprovar um projeto que repassa R$ 4 bilhões por ano para a educação é beneficiar o governo Lula.

"Eu não acredito que tenha gente que pensa de forma tão pequena que seja capaz de prejudicar as crianças pensando que prejudica o presidente da República e o governo federal", afirmou. E completou: "Essas crianças não pediram para nascer. Governar para pobre é mais fácil e prazeroso. Os pobres não dão trabalho. Não tem dinheiro para ir a Brasília, fazer protesto, alugar ônibus e sequer ir a sindicato. Só a igreja rezar. Num ataque indireto a movimentos de sem-terra aliados do governo. Muitas vezes os governantes não olham para eles porque não estão nas ruas fazendo passeatas e protestos.

Lula destacou que o Bolsa-Família é um programa isento pois o governo atua em parceria com prefeituras de partidos da oposição. "O prefeito da cidade, pode ser do PFL ou do PSDB, pode passar o dia falando mal do governo. Mesmo assim, os pobres de sua cidade serão tão bem tratados como os pobres de Belo Horizonte e Contagem", disse referindo-se a duas cidades mineiras controladas pelo PT.

Lula disse que certamente o governo pode ter cometido alguns erros na implantação do projeto e que por isso precisa da cooperação da sociedade para localizar pessoas que precisam ser cadastradas. No ginásio estava lotado por pessoas beneficiadas pelo programa Fome Zero e que foram convocadas por meio de carta pela prefeitura petista.

Ao chegar a Belo Horizonte, Lula foi recebido na Base aérea pelo governador tucano Aécio Neves. Os dois, longe dos holofotes, conversaram por cerca de quinze minutos. Aécio, segundo assessores do Planalto, quer evitar aparecer em fotos ao lado de Lula para não receber reclamações de seu partido.