Em conversa reservada com líderes do PMDB de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou hoje da "violenta" campanha travada pelo PFL e PSDB pelo Palácio do Planalto. Sem mencionar os nomes do tucano Geraldo Alckmin e do pefelista José Jorge, que formam a chapa adversária, Lula criticou a conduta dos dois candidatos na mídia e na propaganda gratuita na televisão. "Eles ultrapassaram as raias do razoável, com agressões pessoais", disse o presidente, segundo relato do ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado. "Só não propuseram o meu impeachment porque não tinham apoio popular.

Ao pedir a unidade do PT e do PMDB em Minas, Lula chamou de "querido companheiro" o ex-governador Newton Cardoso, que no passado foi acusado pelos petistas por práticas de corrupção. O presidente fez um apelo aos peemedebistas para firmar, em convenção prevista para amanhã, uma coligação com o PT.

Os petistas indicam Nilmário Miranda como candidato a governador e o PMDB, o candidato a vice e o candidato ao Senado. Cardoso, o ex-prefeito de Uberlândia Zaire Rezende e o ex-presidente Itamar Franco disputam o voto dos delegados para a indicação a senador. Itamar não participou do encontro com Lula, alegando que tinha confirmado presença em um evento com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em Juiz de Fora.

Lula assegurou ao PMDB que cada ministro mineiro ficará responsável por uma área do "mapa" do Estado, dividindo a responsabilidade de arrancar votos em todas as regiões. O presidente programou um grande comício em Belo Horizonte, com data ainda não definida. Na última eleição presidencial, em 2002 ele participou de sete comícios em Minas. Desta vez, a presença dele será limitada. A alternativa, segundo Lula, é designar o vice-presidente José Alencar, que repetirá com ele a dobradinha de 2002, a viajar mais pelo interior do Estado. "O Zé Alencar é muito querido, ele ficará mais aqui", disse.

Ao deixar o encontro, Newton Cardoso ressaltou que é amigo de Lula desde a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, no governo Fernando Henrique Cardoso. A uma pergunta sobre as acusações do PT no passado, Cardoso respondeu: "Também se fala que no governo do PT tem corrupção". Cardoso ressaltou que Lula demonstrou estar "muito feliz" em participar do encontro com o PMDB mineiro.

Após a reunião, Lula ainda teve um encontro com representantes da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Na conversa com os empresários, o presidente teria demonstrado apoio à reivindicação de reduzir os juros. "Ele acha que os juros têm de cair, inclusive a TJLP", disse o vice-presidente da entidade, Agnaldo Diniz Filho.