Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (15) que vai esperar um relatório do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para decidir as medidas que deverão ser tomadas pelos governos federal e estadual para acabar com os conflitos em São Paulo. Segundo o presidente, num momento como esse, não adianta ficar achando que alguém tem a "mágica de resolver o problema".

Lula deu as declarações há pouco, logo depois de participar do encerramento da 1ª Conferência Nacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, na Academia de Tênis de Brasília.

O presidente informou que, em conversa mantida hoje (15), por telefone, com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, manifestou solidariedade e colocou as forças federais à disposição do estado.

"O que eu disse ao governador de São Paulo, hoje, é que estamos dispostos a colocar o Exército, a nossa polícia especial, à disposição. É preciso saber qual é a realidade das necessidades deles. Quando o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, voltar, amanhã (16), vamos conversar para saber quais as medidas que vamos tomar", destacou o presidente.

Segundo Lula, o crime organizado não é uma coisa simples de combater. "Ele tem seus braços espalhados pelo mundo inteiro, e nós precisamos usar de muita inteligência", afirmou o presidente. Para ele, os atos de violência que ocorreram ontem (14) em São Paulo foram "uma provocação, uma demonstração de força do crime organizado". "O ministro Márcio vai sentar com o governador, junto com o secretário de Segurança estadual, e vai decidir o que fazer", completou o presidente.

Questionado se o combate à violência praticada pelo crime organizado em São Paulo não estaria sendo tratado de forma eleitoral, Lula respondeu que não acredita na existência de um "mesquinho" no país que tente tratar uma questão dessas como questão eleitoral. "Até porque tem muitas vítimas. Soldados defendendo a sociedade foram assassinados e reféns foram assassinados. É preciso que, nesta hora, que a gente feche os olhos para a baixeza e pense na solidariedade de toda sociedade brasileira", esclareceu.