A água da torneira é cara. O esgoto, cobrado junto com ela, também. Ambos, água e esgoto, representam, para uma família mediana, qualquer coisa próxima de meio salário mínimo – um rombo na economia familiar de classe média. Imagine-se o estrago da tarifa de água a quem está abaixo dessa imaginária linha de divisão social. Somada à conta de luz, representa o terror do orçamento mensal para muita gente. O governador Roberto Requião tem consciência disso e trabalha para uma camada da população em dificuldades. Quer luz e água de graça – ou quase – para essas pessoas, o mínimo que o Estado pode e deve dar.

Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – Ipardes, o mapa da pobreza no Paraná está em franco crescimento. Em oito anos, triplicou, saltando de 360 mil pessoas, em 1994, para um milhão, em 2002. Sem água tratada, a pobreza vira também um caso de saúde pública. Garantir uma torneira funcionando, é investir, portanto, na saúde pública. Em vez de gasto, é investimento. Economia. Por isso, vem aí a tarifa social de água – um programa que já existia, mas que foi praticamente abandonado pelos dois últimos governos.

Requião já fez isso com a luz. Um programa denominado “Luz Fraterna”, aprovado pela Assembléia Legislativa, acaba de ser lançado pelo governo com discurso social e festa, tendo como palco a Vila Zumbi, em Curitiba. Cerca de 200 mil famílias de baixa renda em todo o Estado (totalizando aproximadamente 700 mil pessoas) vão estar isentas do pagamento de energia elétrica. Basta que o consumo fique abaixo de 100 kWh/mês e o consumidor – sem uma segunda conta em seu nome – esteja cadastrado no Programa Social da Copel (ou algum outro do governo federal). Um gesto que custará aos cofres públicos estaduais cerca de dois milhões de reais por mês. Aliás, nada, porque isso será descontado dos dividendos que o governo recebe da Copel na condição de acionista majoritário da companhia.

Os que lutaram para evitar a venda da Copel estão comemorando duplamente. Se a companhia estivesse já nas mãos de empresas particulares, programas dessa natureza seriam evidentemente impensáveis. E reduzindo o lucro dela para níveis razoáveis, assim como as mordomias, é possível fazer muito mais – exemplo que deverá se estender também à Sanepar, que Requião quer a serviço da população, e não de grupos privados, nacionais ou internacionais. Afinal, assim como o direito a moradia, existe também o direito a energia elétrica, a água e outros mais, básicos a uma vida digna.

Nesse tom, o governo de Roberto Requião promete ainda mais. Além da isenção de impostos a pequenas empresas (que um dia poderão ser grandes), na área do campo, por exemplo, está empenhado em reduzir a tarifa de energia elétrica utilizada para a irrigação das propriedades agrícolas. Na esteira do Fome Zero, há muito por fazer. E em muitos casos, com resultados bem mais interessantes que a simples distribuição de comida: quanto alimento podem produzir pequenos agricultores se tiverem instrução adequada e condições econômicas para trabalhar a terra? “Esse governo – diz e repete o governador sem se cansar – deixou clara a sua opção pelos pobres.” E por eles trabalha.

Melhor assim. Olhar para e pelos pobres é, mais que um discurso, dar um breque ao violento processo de favelização que assaltou cidades e mesmo algumas áreas rurais do Estado e do País nos últimos tempos. E nesse olhar, existem ações de curto, médio e longo alcance. Esses são os primeiros passos que não podem se resumir a um caráter meramente assistencialista. A estrada iniciada por Requião é longa. A vez dos pobres precisa chegar também à educação familiar e à escola.