Desde o ano passado, o interesse de jovens e adultos em aprender a ler triplicou no Rio de Janeiro. Em todo o estado, 32.652 mil pessoas com idades entre 15 e 80 anos foram alfabetizadas nos últimos seis meses pelo programa Por um Brasil Alfabetizado, do governo federal em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi). Hoje (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da formatura de cerca de 40 mil alunos.

Os outros 4.471 alunos, na mesma faixa etária, recebem o diploma de conclusão da quarta série do ensino fundamental e o de qualificação para o mercado de trabalho ? do programa TransFORMAR – Qualificando para o trabalho. A cerimônia de formatura acontece no Espaço da Cidadania (antiga Cidade do Rock), em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.

No ano passado, 13.500 pessoas, também na faixa etária dos 15 aos 80 anos, foram alfabetizadas no estado e, dessas, 4.471 continuaram estudando e agora concluíram a quarta série do ensino fundamental.

Entre os formandos do programa Por um Brasil Alfabetizado, está o servente Antonildo de Oliveira da Silva, de 26 anos, morador de Vilar dos Teles, na Baixada Fluminense. Nascido no Ceará, Silva disse que não estudou quando criança porque tinha que trabalhar na roça, e a escola era longe de casa. Hoje, ele reconhece que se tivesse estudado teria conseguido um emprego melhor.

"Eu preferia ficar na roça e ajudar meu pai, porque não sabia que o estudo era tão bom assim e que ia servir para alguma coisa. Abandonei a escola e não aprendi a fazer o meu nome. Com 17 anos vim para o Rio de Janeiro procurar trabalho, mas nunca ganhei um bom salário, porque não sabia ler. Agora que já sei ler as coisas estão começando a clarear", contou Silva.

Aos 58 anos de idade, Maria das Dores, que também concluiu o curso de alfabetização neste ano, afirma que estudar faz falta. Somente agora ela aprendeu a ler e a escrever o próprio nome e afirma que vai continuar na escola. "É muito bom conhecer as letras e os números. Também a gente entende melhor o que as pessoas dizem. Agora ninguém mais me engana", disse ela.

O diretor superintendente do Sesi-RJ, Fernando Guimarães, atribuiu o forte aumento da procura pelas salas de aula à exigência cada vez maior do mercado de trabalho por profissionais escolarizados. Segundo ele, o método de ensino do programa também atrai as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar.

"O ensino é feito de acordo com a realidade que a pessoa vive. Numa comunidade de pescadores, por exemplo, utilizam-se as palavras e tudo o que envolve a atividade da pesca, de maneira que fica mais acessível para quem está sendo alfabetizado", explicou Guimarães.

Os interessados em participar do programa devem procurar as associações de moradores, igrejas ou as escolas próximas de suas casas.