Mais oito municípios do Estado de São Paulo – Bofete, Borborema, Itatinga, Paranapanema, Piracicaba, Pitangueiras, São João da Boa Vista e Tatuí – tiveram casos de greening confirmados. A identificação foi possível com a ajuda de citricultores que organizaram inspeções nos pomares e enviaram amostras de folhas mosqueadas (sintoma típico da doença) para o Fundecitrus analisar em laboratório. O trabalho é importante, porque a incidência da doença é muito baixa, ou seja, poucas plantas estão infectadas nos municípios. ?Quanto mais cedo forem identificadas, mais rapidamente conseguiremos controlar a doença?, diz o gerente científico do Fundecitrus, Juliano Ayres.

Ayres explica que, provavelmente, outros municípios próximos à região contaminada como os identificados no último mês devem ter algumas plantas doentes, mas ressalta que sem uma inspeção mais rigorosa é difícil encontrá-las em função do baixo número. Para ele, com a campanha de comunicação contra o greening – realizada pelo Fundecitrus e pelos governos estadual e federal – e com a divulgação da mídia, o citricultor tem mais informações sobre o greening e mais possibilidades de identificar e controlar a doença.

 ?O nível de infestação é muito pequeno nessas áreas em que o greening foi encontrado recentemente, o que facilita a ação do setor?, diz o diretor-executivo do Fundecitrus, Osmar Bergamaschi. ?Há urgência nas medidas, que devem ser adotadas por todos. Cada citricultor deve estar consciente e alertar o seu vizinho sobre o risco da doença?.

Para facilitar a identificação do greening nas propriedades, o Fundecitrus está oferecendo treinamentos gratuitos a citricultores e suas equipes de inspeção, às quartas-feiras, na sede da instituição em Araraquara. Mais de mil pessoas foram treinadas nos últimos três meses. Para participar, basta entrar em contato pelo telefone 0800 112155 ou mandar um e-mail para o endereço eletrônico comunicacao@fundecitrus.com.br.

Com esses novos casos, o total de municípios com propriedades contaminadas chega a 64.

O que é o greening

O greening, também chamado de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria e transmitido por um inseto vetor (o psilídeo Diaphorina citri). Afeta todas as variedades cítricas e é considerada a doença de citros mais importante do mundo.

A doença causou grande prejuízo na China e na África do Sul, regiões em que está presente há anos. No Brasil, o greening foi identificado em junho de 2004 e afetou 3,4% dos talhões do Estado de São Paulo. A incidência no País é baixa, fato que facilita o controle imediato.

Os principais sintomas são ramos amarelados; folhas mosqueadas (manchas verde-claras ou amareladas); deformação, redução e queda de frutos; maturação irregular dos frutos; desfolha; seca e morte de ponteiros; manchas circulares verde-claras na casca do fruto; sementes abortadas e maior espessura da parte branca da casca.

Não há cura para o greening, por isso é importante que o citricultor adote o controle rapidamente, que consiste em eliminar a planta doente assim que apresentar os primeiros sintomas para que não sirva de fonte de contaminação para outras plantas; não fazer a poda, pois a técnica não funciona para o greening; adquirir mudas sadias e fazer o controle do inseto transmissor. O controle do greening é lei.