Brasília – Manaus (AM) sediará a partir de amanhã (30) mais uma reunião preparatória para a Conferência Nacional do Índio, prevista para abril de 2006. O encontro de representantes de mais de 40 nações indígenas do Amazonas e de Roraima vai até o dia 6 de novembro. O objetivo, segundo um dos coordenadores da reunião, Vilmar Guarani, é discutir propostas para a criação de uma política nacional indigenista.

Essa nova política, explicou Vilmar, que é coordenador geral de Defesa dos Direitos Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai), "passa pela revisão do Estatuto do Índio e pela criação de um Conselho Nacional de Política Indigenista com maior participação dos índios neste cenário político, econômico e social". Ele lembrou que o projeto de revisão do estatuto tramita desde 1991 na Câmara dos Deputados.

Sobre a criação do Conselho, Vilmar Guarani comentou que "seria uma instituição paritária para dar assento a todas as instituições de governo que lidam com a questão, em conjunto com as representações dos povos indígenas de todos os estados brasileiros".

No encontro de amanhã, acrescentou, também serão debatidos temas como a ocupação militar em terras indígenas e a exploração de recursos naturais nessas áreas. "São as questões que mais interessam às comunidades da região Norte e deverão prevalecer, ainda, nos encontros que ainda se realizarão em Rondônia, Acre, Amapá e Maranhão", disse.

Para Vilmar Guarani, existe em comum com os índios a luta de manter a paz e a segurança nas fronteiras brasileiras. Por isso, ele disse considerar necessário trabalhar melhor a relação entre indígenas e militares. "No centro-sul do Brasil a luta principal é pela demarcação de terras, que já são ínfimas. No norte, não. E surge outra questão: o uso dessas terras se houver terceiros interessados", comentou.

O coordenador ressaltou ainda que na região Norte cerca de 300 índios estão na universidade, alguns deles já em cursos de mestrado. E que esse é o início de um caminho de autonomia dos povos indígenas, "que começará a ser discutida nesse encontro e, com certeza, também na conferência nacional ? o tema é importante, para que o índio possa geranciar sua vida social, política e econômica".